Raimundos voltam às origens com show no Olympia

Sem o vocalista Rodolfo, os roqueiros brasilienses do Raimundos voltam a tocar em São Paulo para lançar seu novo disco, Kavookavala, e sedimentar o guitarrista Digão como a nova liderança do grupo. O show será hoje, às 22h30, no Olympia. O trio original formado por Canisso (baixo), Fred (bateria) e Digão está reforçado pelo guitarrista Marquinho. No novo trabalho, os Raimundos voltam a fazer um gênero que renegam, mas que foi responsável pela popularidade da banda nos anos 90: o forró core. Digão sente-se realizado quando ouve comparações entre o novo trabalho e os primeiros discos do Raimundos. "As pessoas estão dizendo isso, e acho ótimo. Adorava o som que fazíamos naquela época", disse em recente entrevista enquanto o grupo participava do festival mineiro Green Rock. Kavookavala é, na verdade, o segundo álbum depois da saída de Rodolfo. O tímido lançamento de Éramos Quatro, mais para cumprir contrato do que proporcionar realização profissional, trazia apenas uma música inédita (Sanidade) e outras 13 canções gravadas ao vivo, resgatadas do arquivo da gravadora. Não houve apresentações para lançá-lo. O novo disco foi para os integrantes um recomeço de suas carreiras num momento em que a banda havia se garantido como uma das grandes no rock nacional. "Acho que queríamos muito manter o crédito e a qualidade dos Raimundos", afirmou em entrevista recente ao JT o baterista Fred. Digão foi mais longe: "Na verdade, queríamos dar um passo à frente tanto nas composições quanto nas letras. Deixamos os problemas para trás e nos concentramos nas músicas." Se Rodolfo deixou o barco por ter sentido que o nível de besteirol nas letras havia atingido o insuportável, os músicos da banda também pisaram no freio com relação ao conteúdo das novas canções. A sacanagem continua presente, mas não de formas explícitas como no início do grupo. Os palavrões não estão mais escancarados. Não deixa de ser uma preocupação de crescer. E Rodolfo pode ter sua parcela de contribuição quando avisou que voltaria com sua banda, o Rodox, cantando músicas "com conteúdo". Não fez uma revolução, mas está bem preocupado em passar mensagens aos fãs sem deixar que soem proselitistas pelo fato de ter se convertido à igreja Sara Nossa Terra. Digão diz que os integrantes estão em outra realidade. "Tentamos ser mais inteligentes, mais maduros. Nada em Kavookavala é gratuito, os palavrões só aparecem quando são necessários."

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