Raimundos lançam CD "Éramos 4"

Raimundos são: Canisso, Digão e Fred. E Éramos 4, o novo CD do grupo que está sendo lançado pela WEA, é um rito de passagem, como diz Canisso. "Ele é um ponto de partida para a nova fase", explica ele. "Se tivéssemos criado novas músicas no calor do conflito, tudo pareceria resposta ao Rodolfo. Ou, então, ausência de resposta."Éramos 4 é um trabalho de músicas antigas, gravado nos moldes da antiga formação, desfeita em junho, com a saída do vocalista Rodolfo. "Para cumprir o contrato com a gravadora, o grupo tinha de lançar um disco. A melhor opção foi a de mexer no baú dos Raimundos", observa Canisso. Segundo ele, outra alternativa seria a edição em CD do programa Balada, da MTV, que havia sido feito em meados de 1998. "Foi uma leitura musical bem bacana. Na ocasião, a gravadora e MTV queriam editar mas achávamos que não era o nosso momento acústico, apesar de ele ser mais legal, com uma produção mais econômica. Neste ano, eles não entraram em acordo."O baú dos Raimundos é, basicamente, punk rock. Das 14 composições, 10 são do repertório dos Ramones. Elas foram selecionadas a partir do show gravado no aniversário da rádio 89 FM no ano passado. Mas não foi um simples tributo. Marky Ramone participou da apresentação. No novo CD, o grupo fala da alegria de um dia ter tocado com o ídolo.Musicalmente, o disco se sustenta. A maior parte dos princípios do punk rock está lá, apesar de a leitura dos Raimundos ter mais agilidade instrumental. Mas a consistência sonora é norteada pelo punk rock, com melodias fáceis, ritmo acelerado e acordes simples.Ao mesmo tempo que os Ramones têm grande importância para a banda, Canisso diz que eles não queriam passar pela transição, lançando apenas um tributo. "Nunca fomos uma banda cover. Seria até incoerente com a carreira de dez anos do grupo optar por um disco desse tipo."Para completar o ciclo, encontraram três músicas gravadas: Sanidade, de Rodolfo e Digão, Desculpe mas Eu Vou Chorar (balada gravada pelos sertanejos Leandro e Leonardo), de Cesar Augusto e Gabriel, e Nana Neném, de domínio público adaptada por Rodolfo. "Foi praticamente nesse momento que nos voltamos para esse trabalho, pois, até então, ele estava sendo direcionado pela gravadora", conta. "Acontece que Sanidade, música que estava na primeira fita demo da banda, em 92, já tinha Digão como vocalista. Mas eu não tocava. Isso foi a deixa para entrarmos no estúdio e reinterpretarmos. A gente descobriu que a nossa vontade e a desenvoltura de banda eram maiores que todos os conflitos. Foi a prova para voltar para a estrada."Nessa composição é quase imperceptível a mudança de vocalista. "Ela soa natural porque o Digão já fazia a segunda voz no grupo. E as pessoas já estão acostumadas ao seu timbre", argumenta Canisso. "Mas, com certeza, o disco é quase um pretexto para nossa volta aos palcos, pois somos uma banda de estrada. Este será o momento de mostrar que vale a pena continuar com os Raimundos." Para isso, o grupo está ensaiando todos os dias, quase que integralmente. O guitarrista Marquinhos de Brasília, tocará guitarra nos shows. O primeiro ocorre no dia 28, no Anhembi.

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