Bruno Trindade
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Rael manda energias positivas para sua quarentena em 'Capim-Cidreira (Infusão)'

Além das plataformas digitais de música, novo EP terá lançamento virtual no jogo Avakin Life; 'Rei do Luau', canção inédita, é parceria com Iza

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

02 de julho de 2020 | 17h34

As vaibes positivas são o território de Rael desde o início de sua carreira, há quase 20 anos, quando ele surgiu no hip hop nacional trazendo seu violão e infusionando o rap com reggae e referências da MPB. Não é por acaso que seu novo EP, lançado nesta quinta-feira, 2, pela Laboratório Fantasma, leve como título Capim-Cidreira (Infusão).

O disco traz três canções do trabalho anterior (Capim-Cidreira, de 2019), duas do disco Ainda Bem Que Eu Segui As Batidas do Meu Coração (2013) e uma música inédita, Rei do Luau, gravada em parceria com a cantora Iza. Em comum, as texturas adaptadas para o violão e a qualidade inspiradora das batidas e letras.

“Sou bem hiperativo, antes da pandemia eu estava em turnê”, diz Rael, por videoconferência. “Tenho um estúdio aqui em casa e comecei a gravar, e nisso surgiu essa ideia. Não fazia nem um ano do novo disco, e o EP é um modo de trazer esse trabalho numa outra textura. Ele surgiu de uma necessidade de fazer alguma coisa.”

A participação dos fãs foi fundamental para o ânimo do músico: assim que ele começou a pensar no projeto, passou a trocar ideias com os fãs em lives realizadas na madrugada (“é a minha Madrugada Gang”, brinca). Foi sugestão deles incluir canções do álbum mais antigo, e eles também colaboraram com vídeos para o clipe de Beijo B, faixa, segundo Rael, com inspiração no afrofusion, produção musical contemporânea sendo feita dos países do oeste do continente africano.

“O pessoal sempre me diz que tem dificuldades para encaixar minhas músicas nas playlists, separadas por gênero, porque eu sempre trago outras coisas, parcerias, do rap sou um dos caras mais ecléticos aí”, conta Rael. “Espero que com esse disco, voz e violão, isso fique mais fácil”, ri.

Nos cerca de 20 anos em que trabalha com música, Rael diz que nunca tinha parado de fato — a necessidade do isolamento social, então, serviu para ficar mais perto do filho e da família. A quarentena, porém, não o deixou alheio ao que se passava no mundo, e o lançamento do EP foi adiado em quase um mês por conta dos protestos antirracistas na esteira do assassinato de George Floyd pela polícia, nos EUA.

“Naquela semana, me senti impotente e com aquela dor. Há 20 anos a gente fala e traz sempre esse assuntos. Quisemos mudar a data porque não tem nada mais importante do que essas pautas agora. A consciência que aparece após esses acontecimentos é a de que as instituições estão esgotadas… Como é que no meio da pandemia tem jeito de aumentar índice de letalidade da polícia? As pessoas têm que começar a entender que esse tipo de serviço é um desserviço. Eles estão atrapalhando a gente a se organizar”, reflete o cantor.

Ele diz estar também discutindo e buscando meios mais eficazes do que “só ficar no twitter falando e soltando música”. 

“Temos que pensar: tela preta vai adiantar? Qual é o papel da sociedade numa economia com inclusão do negro, direitos básicos? Olha como o mundo está mostrando, como o país vai crescer se 55% da população é tratada como lixo?”

Música vai ser lançada no jogo Avakin Life

Depois do estouro da “performance” virtual de Travis Scott no popular jogo online Fortnite, o mundo da música percebeu que a intersecção entre as duas indústrias pode ser explorada de maneira ainda mais incisiva. Como parte desse sentimento, a Laboratório Fantasma e Rael fizeram uma parceria com o jogo Avakin Life, da desenvolvedora inglesa Lockwood Publishing, disponível gratuitamente para Android e iOS. Só no Brasil, seu principal mercado, a plataforma tem mais de 2 milhões de jogadores ativos.

Entre os dias 10 e 14 de julho, um espaço no jogo vai exibir em looping uma espécie de show do cantor, tocando uma das faixas (Beijo B), desenvolvido especialmente para a plataforma.

Espécie de The Sims para celular, em Avakin o jogador cria um personagem e pode estilizar seu vestuário, apartamento, trabalhar, interagir com os outros jogadores, ter um cachorro, entre outras ações. O jogador pode também viajar para diversos locais, como praias, festas temáticas, concursos de moda — e shows.

“A gente já tinha feito antes, mas esse vai ser o primeiro como um lançamento, com um cenário novo e exclusivo”, explica o general manager do Avakin Life para Brasil e América Latina, Carlos Estigarribia. “Já fazemos shows no jogo desde setembro de 2019, porque era uma demanda dos usuários. Sempre foi num palco mesmo. Fazemos também festas, com música, dentro de um clube. Mas para esse caso, pensamos numa cena mais intimista, para que as pessoas se sintam mais próximas, e isso foi conversado com os artistas.”

Ele explica ter interesse também em desenvolver outras parcerias com a Laboratório Fantasma, como incluir no jogo uma coleção de roupas da marca.

Estigarribia acredita que as trocas entre as indústrias dos games e da música pode ser ainda maior. “A gente vê isso não só como fazer um show, mas como uma maneira de pensar em como trazer mais música para dentro do jogo. Não existe uma fórmula, estamos sempre tentando ver o que o público gosta mais. Agora, essa experiência com o Rael é também uma experiência de estar junto, num momento como esse, com a necessidade de isolamento social.”

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