Dylan Martinez/Reuters
Dylan Martinez/Reuters

Radiohead volta ao Brasil depois de nove anos em fase de experimentação

Banda se apresenta no Rio de Janeiro nesta sexta-feira, 20, e em São Paulo no próximo domingo, 22, como parte do Soundhearts Festival

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

20 Abril 2018 | 06h00

Circula pelas redes sociais um mapa do Allianz Parque visto de cima, como se fosse um site de venda de ingressos. Em vez da denominação de “pista premium”, ou algo parecido, naquela área logo no gargarejo, em frente ao palco, alguém modificou para “fortes tendências suicidas”. No extremo oposto do estádio, nesse mesmo mapa de ingressos fictícios, o setor mais distante de Thom Yorke e companhia é chamado de “medicados e estáveis”. 

É um grande exagero? É. Mas a verdade é que o Radiohead, ao longo desses 25 anos desde o lançamento do primeiro disco deles, Pablo Honey (1993), reuniu uma porção de canções daquelas que se encaixam perfeitamente na categoria de “corta pulsos”.

O grande segredo do grupo de Oxfordshire, na Inglaterra, contudo, é a imprevisibilidade: qualquer categoria estabelecida em um disco pode ser completamente ignorada no próximo. Os mais recentes The King of Limbs (2011) e A Moon Shaped Pool (2016) se dão mais às experimentações com texturas e ambientações do que ao formato da canção, o tal “estrofe, estrofe, refrão, estrofe e refrão”. 

São nove anos desde a última passagem do Radiohead por aqui. Na última, vieram para o Rio de Janeiro e São Paulo, em 2009, na Praça da Apoteose e Chácara do Jóquei, respectivamente. Subiram ao palco após a s apresentações de Los Hermanos e Kraftwerk. No retorno, o Radiohead não estará sozinho e traz o próprio festival, chamado Soundhearts.

A escalação tem a brasileira eletrodescolada Aldo, The Band, seguida pelo Junun, um grupo formado pelo guitarrista Jonny Greenwood e Shye Ben-Tzu com pegada oriental, e o produtor e rapper prestigiado inclusive por quem não entende patavinas de hip-hop Flying Lotus

A história da turnê brasileira tem início no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira, 20, e foi conturbada – ou cômica, dependendo do ponto de vista. Marcada para o dia 20 de maio, no Parque Olímpico, ela trocou de endereço, foi para a Jeunesse Arena, que receberia, dias depois, uma apresentação da Demi Lovato. Para existir tempo entre um show e outro, a data do Radiohead foi antecipada em um dia e remarcada para 19 de maio.

Mas Demi Lovato cancelou a turnê no Brasil (ela voltará em novembro) e o Radiohead pôde retornar à data original, 20 de maio, mas manteve o novo local, a Jeunesse Arena. Em São Paulo, o festival se mantém inalterado, marcado para domingo, 22, no Allianz Parque. 

Mutante e, atualmente, sensorial, o Radiohead já foi de tudo um pouco. Foram os salvadores do rock, quando os discos mais dirigidos pela guitarra e pela melancolia inerente aos anos 1990 dominaram as paradas – como Pablo Honey (1993), The Bends (1995) e OK Computer (1997). Depois disso, quebraram as expectativas de se tornarem gigantes, experimentaram mais.

A maior loucura não foi sonora – nem tão louca assim – foi lançar o incrível In Rainbows (2007), diretamente pela internet, no esquema “pague quanto quiser”, e ajudou a derrubar uma indústria fonográfica mais cambaleante do que aquele sujeito que chega às 18 no bar da esquina quando o relógio indica meia-noite.

Com quase 30 músicas por noite, o grupo passa por todas as fases, mas não se apega a roteiros predefinidos. Portanto, saiba, eles podem não tocar sua música preferida, mas podem surpreender com algum lado B que você há tempos não ouvia. 

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