Dylan Martinez/ Reuters
Dylan Martinez/ Reuters

Radiohead se apresenta em Tel Aviv apesar das pressões por boicote

Movimento já conseguiu cancelar shows de Vanessa Paradis, Carlos Santana, Pixies, mas não de Caetano, Gil, Alicia Keys, Bon Jovi e Britney Spears

EFE

19 de julho de 2017 | 10h27

A banda britânica Radiohead se apresentará na noite desta quarta-feira no parque HaYarkon em Tel Aviv, em meio a uma troca de farpas entre o vocalista Thom Yorke e o líder do Pink Floyd e representante do movimento de boicote a Israel, Roger Waters, que lhe pedia o cancelamento do show.

"É profundamente desrespeitoso assumir que estamos desinformados ou que somos tão incapazes que não podemos tomar este tipo de decisão por nós mesmos", disse Yorke em uma entrevista à revista Rolling Stone em junho deste ano, referindo-se às pressões por parte do movimento BDS, que promove o Boicote, Desinvestimentos e Sanções a Israel enquanto continuar a ocupação palestina.

Este movimento conta com defensores como Waters, a atriz Emma Thompson e o cineasta Ken Loach.

Em algumas ocasiões anteriores o BDS, com Waters à frente, tentou sem sucesso que Caetano Veloso e Gilberto Gil, Alicia Keys, Bon Jovi e Britney Spears cancelassem suas apresentações em Israel.

Estes pedidos e cartas públicas são enviados assim que é confirmada a apresentação de um artista relevante no país.

As pressões já conseguiram cancelar shows de artistas como Vanessa Paradis, Carlos Santana, Elvis Costello e da banda Pixies, entre outros, segundo assegura o movimento.

"Considero extremadamente condescendente que um grupo de artistas internacionais, incluindo Waters, escolham nos atirar merda em público através de uma carta aberta ao invés de dirigir-se pessoalmente a nós", disse Yorke à "Rolling Stone".

"Ou você está com o oprimido ou com o opressor", escreveu Ken Loach no início de julho em uma mensagem no Twitter direcionada ao Radiohead.

Ontem, o distribuidor de Loach em Israel, Guy Shani, declarou ao jornal "The Guardian" que os filmes do diretor britânico fazem muito sucesso no país e que, consequentemente, ele recebe remuneração por isso.

Yorke defendeu sua decisão de tocar esta noite em Tel Aviv também através do Twitter: "Tocar em um país não é o mesmo que apoiar seu governo (...). Não apoiamos Netanyahu e nem Trump, mas mesmo assim tocamos nos Estados Unidos". EFE

 

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