Radiohead faz esperado show em São Paulo

Público do Just a Fest assistiu também às apresentações de Los Hermanos e dos alemães do Kraftwerk

Jotabê Medeiros, de O Estado de S. Paulo, e Gabriel Pinheiro, do estadao.com.br,

22 de março de 2009 | 18h59

A banda inglesa Radiohead entrou no palco do festival Just a Fest na noite deste domingo, 22, em São Paulo, para fazer o esperado show ao público brasilero. A banda está em turnê de promoção de seu disco de 2008, In Rainbows. 

 

                                                                                                                         Tiago Queiroz/AE

 

O telão falhou durante duas músicas, e a plateia só levantou mesmo (e cantou a plenos pulmões) quando Thom Yorke cantou ao violão Karma Police, o primeiro hit da noite. Mas o show do Radiohead mostrou que a banda é tudo aquilo que os fãs esperavam: cheia de visceralidade, coragem, entrega, timing de palco. Alguns fãs assistiam sentados no gramado, como que hipnotizados.

 

A banda entrou no palco às 22h em ponto, com 15 Step, a primeira música do disco mais recente, In Rainbows, que compareceu em peso durante a apresentação - apesar de só despertar familiaridade entre o público em alguns hits, como a bela balada Weird Fishes, a oitava do set list do grupo.

 

"Boa noite", disse Yorke em português. O começo do show parecia prometer uma noitada romântica, com o público se deliciando com baladas como All I Need (também do álbum mais recente). Houve um momento, antes e depois da terceira música, que uma gravação de rádio brasileira entrou nos alto-falantes (uma FM de Campinas), o que parecia um problema no sistema de som, mas era algo premeditado pelo grupo.

 

Los Hermanos

 

Com um clima de festival inglês, aquela forma de reciclar a antiga utopia hippie em uma locação bucólica, quase uma fazenda (mas com serviços do século 21), o Just a Fest começou tranquilo na Chácara do Jockey, na Zona Sul de São Paulo. O grupo Los Hermanos abriu seu show no horário programado, às 18h30, com a canção Todo Carnaval Tem Seu Fim, mostrando que tornou-se de fato um dos maiores fenômenos do pop rock brasileiro dos últimos anos: a cada música que se seguia, o público cantava a plenos pulmões os refrões.

 

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                                                                                                                        Tiago Queiroz/AE 

 

Com todos de camisa xadrez, como lenhadores barbudos de filme da Disney, o grupo Los Hermanos reunia-se pela primeira vez desde o rompimento da banda, há um ano, e não há sinais de que seja um reatamento definitivo. Mas o público - parte em estado de êxtase, alguns em histeria, não cansava de pedir que permanecessem juntos por mais um tempo. Só lá pela quarta música é que o vocalista e guitarrista Rodrigo Amarante (que atualmente excursiona com seu novo grupo, o Little Joy), formado com o baterista dos Strokes, Fabrizio Moretti, quebrou o gelo e disse algo a respeito do pedido do público.

 

"Ó nóis aqui! Ah, que ventinho bom", afirmou Amarante. Apoiado por uma seção de metais, o grupo enfrentou um problema de equalização sonora no início, mas o som foi se firmando e foi ficando quente o duelo vocal dentre Marcelo Camelo (vocal e guitarra) e Amarante, que se esgoelavam para convencer com mais força da verdade de suas intenções. Pouco falaram ou trocaram olhares entre eles e mal falaram com o público.

 

                                                                                                                        Tiago Queiroz/AE 

 

O clima ameno (mais para o frio do que para o tórrido dos últimos dias), ajudava e prometia uma noite agradável no velho hipódromo, que estava mais do que aparelhado para receber 30 mil pessoas na jornada (público estimado para o show, que teve ingressos esgotados). Havia banheiros químicos em quantidade suficiente (coisa rara para um festival brasileiro), a sujeira produzida estava sendo recolhida prontamente e não havia principalmente aquela vergonha de uma "área VIP" na frente do gramado, empurrando a maior parte do público para uma distância inaceitável de seus ídolos. O preço era único, a atenção era equitativa, e o visual indie predominava na grande pista: camisetas, bonés, chapéus, all stars, camisas xadrez.

 

                                                                                                                          Tiago Queiroz/AE 

 

 

Logo após a banda brasileira, se apresentou a banda alemã Kraftwerk, formada em Dusseldorf em finais dos anos 1960, e que antecipou a música eletrônica pop como a conhecemos hoje. Mas a reiteração mecânica de som, performance, truques visuais e ironia pré-eletrônica do Kraftwerk não animaram. Nenhuma novidade: o quesito "empolgação" nunca fez parte do repertório maquinista do grupo.

 

A chuvinha fina que caiu no Jockey deu uma trégua e o grupo iniciou seu show também pontualmente no palco do Jockey, com Man Machine, canção que é sustentada por um show de abstracionismo geométrico mondrianesco no telão.

 

O Kraftwerk até fez uma pequena reverência à plateia que os recebe sempre com tanta deferência, a brasileira, ao incluir uma versão em português de alguns versos da música Les Mannequins. "Nós somos os manequins/Nós entramos no clube/e começamos a dançar". Na verdade, a plateia só dançou mesmo nas canções mais híbridas do grupo, que já aceitam uma batida eletrônica familiar aos fãs com menos de 30 anos - caso de Autobahn, We are the Robots e Radio Activity.

 

O show foi praticamente igual ao do último TIM Festival, em 2004, com pouquíssimas mudanças - o que significa que mesmo um clássico, às vezes, precisa se arriscar em novas direções. De qualquer modo, é sempre eficiente o discurso sarcástico do grupo, que satiriza o modelo humano difundido globalmente pelo American Way of Life, a mecanização das relações humanas e o consumo desenfreado. Houve algum desleixo na apresentação - por exemplo: no final, quando os quatro músicos são substituídos por "robôs", durante a música We Are the Robots, a produção nem se preocupou em apagar as luzes, revelando a brincadeira antes que ela se consumasse.

 

Complicações

 

O acesso à região do Jockey Club ficou um pouco complicado para quem veio de carro, porque foi interditada em determinado ponto a Avenida Francisco Morato - o trânsito todo era desviado para a Avenida Eliseu de Almeida, o que causou um certo engarrafamento. Para quem foi de táxi ou ônibus a chegada foi mais tranquila. A entrada no Jockey também não causou grandes reclamações, ao menos até o início dos primeiros shows.

 

Além disso, por volta das 21 horas, as fichas de alimentação acabaram e o público, agora, só pode consumir bebidas. Quem deixou para comer mais tarde, acabou ficando sem opção.  

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