Rádio MEC se une à BR e lança 8 CDs

A associação da Rádio Ministério daEducação (MEC) com a BR-Distribuidora resultará em oito novostítulos da música popular brasileira até meados do ano que vem.O primeiro disco, de Hermeto Paschoal e banda (depois de mais deuma década em que ele gravou apenas discos-solo), deve sair atéo fim de janeiro. Os outros chegam às lojas até maio, sempreprecedidos de pelo menos um show de lançamento no Rio deJaneiro.O selo Rádio MEC surgiu em 1999, por iniciativa dagerente da emissora estatal, Maristela Rangel, que vinha da TVEducativa. Mas, antes, a Associação de Ouvintes já haviacomeçado a lançar discos com o arquivo da rádio, que tempreciosidades da música popular brasileira. O primeiro, em 1994,foi de Radamés Gnatalli tocando sua obra e a de Ernesto Nazarethe o mais recente é do maestro Mário Tavares."Essa coleção sai regularmente, mas queríamos tambémaproveitar o estúdio da rádio, com ótimo equipamento de gravação, mas só usado para ensaios. Ao mesmo tempo, havia muito artistaimportante sem gravadora. Foi só juntar uma coisa e outra e oselo nasceu", conta Maristela. "O Hermeto Paschoal tornou-se opadrinho do selo porque era um artista que se enquadrava no casoem questão e aderiu à nossa idéia na primeira conversa."O bruxo do Jabour (bairro da zona oeste do Rio, ondeHermeto vive há mais de 20 anos) conta que o convite chegou nummomento em que ele estava desanimado com as grandes gravadoras."Eles queriam determinar que música eu ia tocar, como iagravá-la e isso eu não podia aceitar. O convite da Maristelaveio na hora certa porque pude fazer do meu jeito, como euqueria", conta. "Por mim, fazia um disco como o Eu e Elespor mês, de tão bom que é gravar aqui."Depois de Hermeto vieram mais dez CDs, abrangendo umleque amplo, dos veteranos Nelson Sargento, Wilson Moreira eSérgio Ricardo, passando pelas sempre alternativas Diana Pequenoe Lucina e chegando aos novatos Telma Tavares e SincroniaCarioca. "O nosso critério sempre foi a qualidade, não demosprioridade a gêneros, ritmos ou estilos, só não abrimos mão damúsica brasileira", adianta Maristela. "Mas a músicainstrumental recebe aqui o tratamento merecido. E eles estãocertos porque música sem letra permite a quem ouve criar aimagem que quiser, cada vez que escuta. É por isso que o chorofaz tanto sucesso", completa Hermeto.Cachê - Os primeiros discos eram um contrato de risco.Sem verba para pagar cachê, o selo Rádio MEC dava o estúdio, acapa e a distribuição (pelo selo Rob Digital, que o espalhoupelo País) e o artista ganhava 30% do preço de venda, bem maisque o pago por outras gravadoras. "Agora, com o patrocínio daBR-Distribuidora (R$ 900 mil, pela Lei Roanet, para oito discos), os artistas recebem cachê e conseguimos estabelecer uma relaçãode mercado", comenta Maristela. "Já planejamos outra leva parao segundo semestre do ano que vem. Assim podemos atender àspropostas que chegaram aos borbotões."Nessa primeira etapa, o catálogo será precioso. ApósHermeto Paschoal, vem Paulo Moutra e orquestra tocando RadamésGnatalli, grupo Chapéu de Palha, Léo Tomazine e Água de Moringa,João Carlos Assis Brasil, João de Aquino, Paulo César Feital,João Carlos Assis Brasil tocando Villa-Lobos e o cantor Tainã."Esse é lançamento nosso, pois queremos também gente poucoconhecida", avisa Maristela."Depois vêm a flautista Odete Ernst Dias, Zezé Motta,Itiberê Orquestra Família (músico de Hermeto com seus alunos),Soraia Ravenle (a cantora que foi Carmem Miranda e Dolores Durannos palcos), Carlos Malta (que lançou Tudo Coreto pelo selo) Selma Reis, Letícia Tuí e Rixxah (cantor de formação eruditaque já puxou samba na Mangueira, Portela, Imperatriz eSalgueiro)."Hermeto Paschoal tem passado os últimos dias dentro doestúdio sinfônico, uma enorme sala com acústica perfeita epromete "loucuras" no disco. "Todas as músicas são inéditasporque eu não gravo duas vezes a mesma coisa. Além da banda queestá comigo há mais de 15 anos (Itiberê Zuarg no baixo, MárcioBahia na bateria; Vinícius Dorin no sax, André Natan na flauta epiano e Fábio Paschoal na percussão e produzindo), tenho trêscantoras (Beth Dan, Joana Queiroz e Mariana Perdigão). Elasfarão um contraponto lindo", promete Hermeto. "Só não seiainda o que vou tocar porque gosto de entrar depois do discopronto. São 15 faixas e tem um pouco de tudo: samba, maracatu,frevo, choro, baião... só não tem rock."Com três anos de mercado e agora um patrocínio quepermite vôos mais ousados, Maristela comemora os bons resultadosdo selo, que passa a se chamar Rádio MEC/BR. "A nossa vendagemé de 5.000 exemplares por ano, média boa para os independentes,mas com o patrocínio poderemos estabelecer o preço de R$ 10,00por exemplar para as lojas e R$ 15,00 no site da Rob Digital",calcula ela. "Não vamos deixar de atender a outras demandas noesquema antigo porque há muita gente boa na músicabrasileira."Animado, Hermeto já pensa no próximo disco, o terceiropelo selo, que ele pretende gravar no ano que vem. "Vai ser oEu e Eles II porque sempre tem música nova para a genteapresentar", conta ele. "E vai ser instrumental porque essa éa poesia mais universal que existe. Imagina se a gente tocasseum dó no primeiro dia. Se repetisse a nota no dia seguinte,soaria diferente porque quem escuta está em outra situação, comoutra cabeça."

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