Racionais fazem show com irmão de Tupac Shakur

O rapper Ice Blue, dos Racionais fala sobre a homenagem a admiração e homenagem que o grupo fará ao rapper americano assassinado em 1996 e sobre o primeiro DVD dos RacionaisAssassinado a tiros em 1996, o rapper americano Tupac Shakur tornou-se um mártir do hip-hop, um ícone do gangsta rap. Sua lírica e estilo influenciaram artistas pelo mundo todo, e os nossos Racionais MC?s não são exceção. E, nesta quinta-feira, às 22 horas, pelo menos de forma sanguínea, eles vão conhecer algo do ídolo: tocam no mesmo palco de Mopreme Shakur, irmão de Tupac, pela primeira vez no Brasil, fazendo um tributo ao mano.O show celebra os 10 anos da festa Rap Soul Funk, e é resultado da união entre as casas Rose Bom Bom, Nasty, Urbano e a Faap. ?Sou fã do Tupac, sou suspeito. Não conheço bem o Mopreme, mas ele estava no álbum "Thug Life", do Tupac, e o que o que conheço gosto muito?, disse à reportagem o rapper Ice Blue, dos Racionais, que estavam em estúdio trabalhando no primeiro DVD do grupo, a ser lançado em setembro pelo selo Cosa Nostra (também estão produzindo dois novos astros do gênero, Rosana Bronx, da Zona sul, e O Time, da Zona Oeste).O show que dará base ao primeiro DVD dos Racionais MC?s foi gravado há cerca de três anos no Sesc Itaquera, num show que teve abertura de Jorge Ben. ?Um domingo chuvoso, um dia louco. Está tudo guardado há um tempão, mas finalmente vai sair?, disse Ice Blue.Como os Racionais, que são uma das vozes da periferia, vêem os ataques do PCC?Sobre isso a gente se recusa a falar. Falamos sobre isso há muitos anos. Agora querem nossa palavra sobre isso pra quê? É eles com eles!Soube que você agora tem uma grife. Qual é a razão? Há toda uma tendência de moda de rua hoje na qual aparecem muitos oportunistas, gente que não é do meio, e lança roupa para nossas pessoas. Aproveitam-se da idéia e da ocasião para faturar. Há 8, 10 anos, poucos queriam saber do rap. Era música de bandido, não servia para comercial, para playboy, para tocar no rádio. Hoje é tendência, apesar de as grandes rádios ainda ignorarem. Eu já trabalhei como cortador profissional (de confecções). Resolvi fazer roupa para expressar nossa identidade. A camiseta é um outdoor ambulante, é protesto. Por isso tive a idéia de propagar uma marca.Como você vê a música de gente como Marcelo D2, que mistura samba com rap?Quem fez isso de verdade foi o Sabotage. Os outros vieram na idéia do Sabotage. E isso já é uma restrição no meu jeito de analisar. Mas, na grande parte de tudo, queira ou não, tem que interagir com o samba, que é a música mais de raiz que existe na periferia. Não tem como. Mas tem pessoas que fazem rap com samba que na verdade não entendo. Não tem por quê. Eu não conheço ex-puta e ex-viado.Vocês já foram próximos da MTV, mas hoje estão distantes. Soube que o Mano Brown se recusou a ir ao programa do João Gordo.A MTV, com tudo que está acontecendo no rap nacional, se recusa a tocar hip-hop. Toca rock, punk, tudo que é gênero é bem aceito. Hip-hop, se tiver, é lá pela uma hora da manhã, para ninguém ver. Convidar os Racionais é muito fácil, hoje é muito fácil. Indica números. Quero ver ajudar a fazer, como faz por outros gêneros. Lá tem programa de tudo, para falar de comida, fofoca. Mas de rap?No show com o Mopreme, haverá também Mr. Catra, que é do funk carioca. Vocês gostam do funk carioca?Acho que, se for falar do funk, eu vou dizer: a gente gosta do ritmo. É a mesma coisa do rap, não dá para alisar coletivamente, só individualmente. Depende da letra. Aí é de cada um, que nem o rap, que tem letra pesada, tem gospel, tem de tudo, muitas variações de conteúdo e pensamento. Mas o funk é um ritmo que contagia. Só pelo fato de ser música do morro, já está contestando, independente do que seja. É gente do morro que tá sendo ouvida, é um ritmo do morro. E a pirataria, qual é sua opinião a respeito?O último disco nosso vendeu perto de 400 mil cópias. "Sobrevivendo no Inferno" vendeu mais de milhão. Era uma época em que as pessoas ainda compravam discos. Agora compram menos. Hoje fica cada vez mais difícil, porque tem um cara que não trabalha, que não tem estúdio, que não compõe nem canta, não faz nada. Esse cara fica num computador copiando nossas coisas e põe um outro cara na rua para vender. Vou brigar com o cara na rua? Não vou, sei que ele tá se virando para viver. Mas ao mesmo tempo eu não concordo. Sei que ali tem outros interesses. Acho que, se comprar o original, fica melhor.E a política? Como se alinham os Racionais hoje?O Racionais sempre apoiou o PT. Hoje, eu fico abismado com tudo que acontece. Não falo só do PT, mas desses deputados. Não estão nem aí mais para o povo. Só falam da vida um do outro. São Paulo é a cidade com o maior índice de analfabetismo, mais do que Teresina, no Piauí. E os políticos apontando o dedo um para o outro.O que acham do governo Lula?Quando se fala em presidente Lula, tem uma certa vaidade de gente que estudou muito, que se acha muito viajado, muito letrado, que não consegue entender como um cara semi-analfabeto consegue melhorar o País em quatro anos. É muito difícil admitir isso. Aí vem com esse papo: roubou um, roubou outro. Todo mundo roubava em todo governo. Não é só no governo do Lula. Aí fica essa coisa: ?você fez isso, você fez aquilo?. E o povo? E as coisas que precisam ser feitas para o povo? O Brasil nunca vai para a frente desse jeito. Vamos pro que interessa, vamos deixar de ficar falando da vida um do outro.Mopreme Shakur e Racionais MC?s. Arena Tom Maior, 22 horas (Rua Eugênio de Medeiros, 263, Pinheiros, tel. 3031-6688). Preços: De R$ 40 a R$ 60.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.