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Quinteto Violado faz tributo a Dominguinhos no Auditório Ibirapuera

Show único terá clássicos do sanfoneiro morto em 2013, como 'De Volta Pro Aconchego' e 'Sete Meninas'

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2015 | 05h00

Gilberto Gil definiu assim o som que ouviu do Quinteto Violado nos anos 1970: “Free nordestino”. A linguagem da liberdade de ideias que o grupo de Toinho Alves e Marcelo Melo começou a desenvolver a partir de 1971, quando lançaram pela Philips o primeiro álbum com o nome do próprio Quinteto. Eram anos de reinvenção da estética sertaneja, anos de Ariano Suassuna e seus propósitos de expandir fronteiras com outro Quinteto, o Armorial, cheio de orquestrações e rabecas, lirismo medieval e baião, tudo no mesmo cordel.

O Quinteto Violado, mesmo com a morte de Toinho, em 2008, segue com uma das carreiras militantes mais necessárias na música brasileira. Uma de suas frentes é regravar obras com arranjos próprios, como fez para a música de Dominguinhos. Quinteto Toca Dominguinhos, o disco, terá seu repertório mostrado em show apenas neste domingo, 7, no Auditório Ibirapuera, às 19 h.

Ver o Quinteto em São Paulo é uma chance cada vez mais rara. Com o patrocínio dos Correios, o grupo consegue agora levar a música de Seu Domingos, morto em 2013, a 11 Estados. Um feito e tanto na preservação da memória de um dos maiores compositores e instrumentistas brasileiros do século 20.

O Quinteto tem credenciais para isso. Foi ao lado de Luiz Gonzaga e seu filho Gonzaguinha que, em 1971, saiu pelo País em turnê seguindo por um circuito de universidades. Na segunda sanfona de seu grupo, Gonzagão levava um jovem pernambucano chamado Dominguinhos. As parcerias em discos e shows se tornaram constantes até que a maior pérola foi polida: a estonteante 'Sete Meninas', de Toinho Alves e Domingos.

O show vai mostrar, além de 'Sete Meninas', 'Retrato da Vida' (de Dominguinhos e Djavan), 'Pedras Que Cantam', 'De Volta pro Aconchego' (que no disco novo tem a participação de Lenine com arranjo inovador). Em um determinado momento, os músicos abrem espaço para incluir pontos altos de seu repertório, como 'Cavalo Marinho'.

Dudu Alves, filho de Toinho e tecladista do Quinteto desde 1990, lembra das lições que teve em seu convívio com Domingos. Quando gravavam o disco 'Farinha do Mesmo Saco', em 1995, o sanfoneiro chegou ao estúdio sem nem sequer ouvir a música da qual iria participar, 'Moda de Sanfona'. Houve certa apreensão, até Domingos resolver a questão. “Pode começar a tocar.” E ali, na hora, sem saber em que tom estaria, sua sanfona brilhou nos improvisos.

“Seu maior ensinamento foi a simplicidade. Por mais grandiosa que fosse sua música, ele jamais mudou isso”, afirma Dudu.

A técnica de Dominguinhos é estudada por quem quer levar sanfonas e acordeons a sério. Os dois nomes, aliás, são para designar o mesmo instrumento. Uma “frescura” que Domingos não perdoava. “É sanfona mesmo. O sujeito que estuda muito passa a falar que é acordeom, mas o que eu sou é sanfoneiro”, disse certa vez em entrevista ao 'Estado'. “Tudo o que ele tocava vinha com alma, era impressionante”, diz Dudu Alves. “Independentemente do grau de dificuldade que existia ali, a carga de emoção era sempre maior.”

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