Quincy Jones lembra momentos memoráveis de sua carreira

Por Chuck Crisafulli LOS ANGELES (Hollywood Reporter) - Muitas celebridades sãoconhecidas por um único nome, mas Quincy Jones talvez seja aúnica a ser imediatamente reconhecível por uma única letra. "Q", como o conhecem seus colegas, amigos e fãs, já ganhou27 prêmios Grammys -- um número superado apenas pelo falecidoregente clássico sir Georg Solti, que recebeu 31. Jones também recebeu oito indicações ao Oscar, foihomenageado pelo Kennedy Center e agraciado com a Legião deHonra, a mais alta condecoração francesa. Em seu trabalho como compositor para o cinema e a televisãoe produtor de discos, Jones criou momentos musicais que vãodesde arranjos de brilho sutil até ganchos pop instantaneamentereconhecíveis. Seguem suas reflexões sobre alguns sons memoráveis de suacarreira estelar. "SOUL BOSSA NOVA" (DO ÁLBUM DE 1962 "BIG BAND BOSSA NOVA") "Fiquei fascinado com a bossa nova quando fui ao Brasil, em1956, e conheci João Gilberto, Astrud Gilberto e Antonio CarlosJobim. Em 1962, fiz um álbum inteiro de bossa nova, e foi paraesse disco que compus "Soul Bossa Nova". Foi um dos primeirostrabalhos de Lalo Schifrin num disco -- ele tocou piano. Abossa nova vai e vem. E então, 40 anos mais tarde, chega MikeMyers e faz aquela faixa da canção tema de "Austin Powers".Então Ludacris faz um sucesso com a bossa nova. Isso é forte.Você não sabe o que vai acontecer, mas deixa rolar. Está forade suas mãos. Você só deixa a música seguir adiante." "NO CALOR DA NOITE", 1967 "Você tem que fazer o que o filme pede. Às vezes você sesurpreende com a música que um filme arranca de você. Você sedescobre fazendo coisas que jamais teria imaginado fazer. Acena da ponte em 'No Calor da Noite' foi assim. Tínhamos DonElliot ali, fazendo percussão de boca e outras coisas. Setentássemos superintelectualizar aquele momento, nãoimaginaríamos que colocar uma música ali funcionaria. Masfuncionou." "A SANGUE FRIO", 1967 "Uma das frustrações que tive ao compor música para ocinema foi que nem sempre era possível levar a música à telona.O som ótico não dava conta da música. A gente gravava em fitamagnética, e, quando a música era transferida para o som ótico,perdia muito. A música de 'A Sangue Frio' era em tom muitobaixo, com violoncelos, contrabaixos e um dos primeirossintetizadores usados numa trilha sonora. Richard Brooks sabiada minha preocupação, então, juntamente com um engenheiro daRCA, foi ajustar todos os alto-falantes nos 65 primeiroscinemas em que "A Sangue Frio" foi exibido, para que a músicasoasse certo. Cara, ficou maravilhoso. Eu não conseguiaagradecê-lo o bastante." "SANFORD AND SON", 1972 "Bud Yorkin me falou: 'Vou fazer um piloto com um sujeitochamado Red Foxx'. Eu disse: 'Tá brincando! Conheci Red Foxx noApollo 20 anos atrás. Posso compor a música dele agora mesmo --nem preciso assistir ao piloto'. Compus em 20 minutos e graveiem 20 minutos com quatro sujeitos, incluindo o grande gaitistaTommy Morgan. Ainda acho que ficou bom." "THRILLER", 1982 "Dizem que a música é a linguagem universal, mas a músicaque as pessoas realmente entendem é a afro-americana. Éfascinante ver que todos os países do mundo colocam sua músicanativa de lado e usam a música que veio do jazz e do blues comoseu esperanto (sua linguagem comum). É incrível. Vou a qualquerpaís no mundo e ouço som afro-americano. Pode ser qualquer país-- você sai para tomar uma cerveja, chega à meia-noite, e o quevocê ouve? 'Billie Jean'. Vinte e cinco anos mais tarde, elacontinua presente."

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