A banda inglesa Queen posa para foto no Copacabana Palace, com o cantor Adam Lambert, que vem substituindo o vocalista Freddie Mercury (1946-1991). Eles serão a atração principal do Rock in Rio no dia 18, o primeiro do festival. Foto: FABIO MOTTA/EST
A banda inglesa Queen posa para foto no Copacabana Palace, com o cantor Adam Lambert, que vem substituindo o vocalista Freddie Mercury (1946-1991). Eles serão a atração principal do Rock in Rio no dia 18, o primeiro do festival. Foto: FABIO MOTTA/EST

Queen é a primeira banda a chegar para o Rock in Rio

Grupo inglês toca na abertura do festival, dia 18, mas já desembarcou e deu entrevista coletiva na cidade

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

10 Setembro 2015 | 12h51

Atualizado às 20h45

Quando o Queen se tornou soberano no Rock in Rio, em 1985, o cantor norte-americano Adam Lambert ainda era um menininho de 3 anos recém-completos na Califórnia. Na edição comemorativa dos 30 anos do festival, ele será o substituto de Freddie Mercury (1946-1991), ao lado dos veteranos da banda inglesa, o guitarrista Brian May e o baterista Roger Taylor, com quem o intérprete, revelado no American Idol em 2009, vem se apresentando pelo mundo desde 2011.

“As expectativas são sempre altas. Mas eu não fico mais intimidado, como ficava há três anos. Já fizemos turnê ao redor do mundo. Quero me conectar com a plateia brasileira”, disse o jovem cantor na quinta, 10, em entrevista no Hotel Copacabana Palace. “Desde que comecei a fazer shows com a banda, fiz muita pesquisa, vi documentários, vídeos, sei que o público brasileiro é considerado um dos melhores do mundo.”

“Adam não diz: ‘Vamos fazer como Freddie fazia’. Quando entra no palco, não tenta ser ele. Não é uma questão de ser arrogante, é porque ele sabe que é capaz de fazer”, exaltou May. “O maior talento de Freddie era sua conexão com a plateia, e isso o Adam também tem. Os dois têm vozes incríveis, do tipo que você não acha em um bilhão de pessoas.”

O Queen foi a primeira banda estrangeira a chegar ao Rock in Rio 2015. Uma das mais aguardadas desta edição, a apresentação será a principal do primeiro dia do festival, sexta-feira, dia 18. Eles vieram cedo para ensaiar, uma vez que não tocam juntos há seis meses. “Mas eu quero sair, quero tomar uma tequila”, avisou Lambert, que foi escolhido como vocalista substituto depois de cantar Bohemian Rhapsody e We Are the Champions no American Idol (esta última, com participação do Queen). Ele acabou por não vencer a competição televisiva.

Na entrevista, além de louvar a presença de palco e a performance de Lambert, May e Taylor trocaram reminiscências sobre o Rock in Rio 1985. “Nós ficamos chocados com tanta gente cantando as nossas músicas, palavra por palavra. O público parecia infinito. Aquilo não era comum. As pessoas não vinham da Inglaterra cantar aqui. O Brasil criou algo especial para Love of My Life. Não sabíamos se íamos conseguir. Achávamos que seria num teatro para mil pessoas (o público estimado foi de 250 mil)”, rememorou May. 

“Sentimos muita nostalgia de estar de volta ao Copacabana Palace. Fizemos muitas loucuras aqui, especialmente nosso vocalista. E, 30 anos depois, ainda estamos vivos, e cantando”, brincou ainda. A banda vai tocar também em São Paulo e Porto Alegre.

“Temos sorte de que Brian e eu estamos aqui e conseguimos tocar. Não sei por quanto tempo estaremos, então esses podem ser os últimos shows”, provocou Taylor. May então fez um “oohhhh” de lamento, e brincou: “Então comprem seus ingressos!”. Quando ouviu que estavam esgotados, retrucou: “Guardem seus ingressos!”. E depois a piada continuou: “Vendam seus ingressos!”. 

A vice-presidente do Rock in Rio, Roberta Medina, filha do criador do festival, Roberto Medina, disse que o Queen praticamente viabilizou toda a participação estrangeira no festival de 1985. “O Queen foi a primeira banda a fechar com o Rock in Rio e essa atitude fez com que outras bandas copiassem a maluquice deles de vir, quando o Brasil não estava minimamente preparado para um evento daquele porte. E eles emprestaram todos os equipamentos de luz, que todas as bandas usaram. Se não tivesse sido por essa gentileza deles, a gente não teria essa mesma história para contar.”

Os hits de 40 anos de carreira são certos, assim como a inclusão de imagens de Freddie nos telões. O recurso faz parte dos shows do Queen depois da morte do cantor - assim foi quando Paul Rodgers assumiu o microfone, em meados dos anos 2000 (eles vieram ao Brasil em 2008) e vem acontecendo também no formato Queen + Adam Lambert.

“A presença do Freddie é muito forte, mas não a ponto de ofuscar o Adam”, adiantou May. “Para mim, ele está em cada música. Nós estamos celebrando a banda”, disse o cantor.

O guitarrista e o baterista esperam tocar para pessoas que estiveram no Rock in Rio 1985. “Quem sabe levam seus filhos e netos, e nos reconectamos”, deseja May. “O show vai ser ainda melhor. Nós aprendemos muito nesses 30 anos. Freddie concordaria com isso.”


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