Quatro vezes Elza Soares. Duas, ao ar livre

Quem perdeu a chance de assistir aos dois únicos e concorridos shows que Elza Soares fez em São Paulo para lançar Do Cóccix Até o Pescoço, no Sesc Vila Mariana, poderá tirar o atraso nesse fim de semana.Com fôlego invejável, a cantora fará quatro apresentações na cidade. Hoje e amanhã à noite ela canta no Urbano e, no domingo à tarde, ela faz rodada dupla - se apresenta primeiro no Sesc Intelagos e, depois, na Praça da Paz do Parque do Ibirapuera, em uma participação no show da big band Heartbreakers.Os anos passaram e a voz de Elza parece não ter perdido nada da potência que apresentava há 40 anos, no começo de sua carreira. Segundo ela, não existe segredo. "Olha, é um presente que Deus me deu", simplifica. "Não faço nada para manter a qualidade, apenas não fumo, não bebo e malho duas horas por dia. O cuidado que tenho com meu físico ajuda a manter a voz inteira."A rouquidão elegante, acostumada a cantar sambas como ninguém, enfrenta um repertório diferenciado no novo álbum - tranqüilamente um dos melhores de 2002. Dando ênfase à veia black que permeou discretamente sua carreira, principalmente no disco Elza Pede Passagem (de 1972), a cantora optou por mesclar músicas de novos compositores (Marcelo Yuka, Seu Jorge, Carlinhos Brown) com autores consagrados (Chico Buarque, Ben Jor, Caetano, Luiz Melodia).Hip hop - Em flerte com o hip hop, o disco traz a participação de DJ Cia em quatro faixas e Fernandinho Beatbox em outras duas - reforçando o acento de balanço negro que faz de faixas como Hoje é Dia de Festa (de Ben Jor) e A Carne (Seu Jorge, Marcelo Yuka e Wilson Capellette), um convite para chacoalhar os ossos nas pistas de dança."Havia feito menção ao hip hop há muitos anos, em um dueto que fiz com o Caetano Veloso na música Língua", lembra, referindo-se a uma gravação de 1984. "É um som que gosto muito."Do Cóccix Até o Pescoço traz a produção cuidadosa do compositor José Miguel Wisnik. "Eu e ele vibramos muito, pois queríamos fazer um disco com boas letras, algo que faz falta no mercado hoje em dia e é preocupante", opina a cantora. "Foi por isso que gravamos Chico, Melodia, Caetano..."O clima de festa não é a única face da cantora que se manifesta no álbum, e sobra espaço também para momentos mais intimistas. Em Fadas (de Luiz Melodia), por exemplo, ela dá voz para uma interpretação calcada no bolero - deixando transparecer na gravação, pela primeira vez, a sua admiração por Astor Piazzolla.No Urbano e no Sesc Interlagos, a cantora tocará acompanhada de José Paulo Becker (violão), Chiquinho Chagas (teclados), Edson Menezes (baixo), Victor Motta (sopros), Carlos César (bateria) e Zama (percussão). No repertório, além das músicas do disco novo, Elza vai cantar alguns clássicos da carreira como Devagar Com a Louça (de Haroldo Barbosa e Luiz Reis) e Beija-me (de Roberto Martins e Mário Rossi).Como convidada dos Heartbreakers, ela cantará Dura Na Queda (de Chico Buarque), Trem das Onze (de Adoniran Barbosa) e País Tropical (de Jorge Ben Jor). Intitulado Novas Divas de MPB, o show trará outras dez cantoras que serão simbolicamente abençoadas por Elza.Elza Soares. Hoje e amanhã no Urbano (R. Cardeal Arcoverde, 614. Tel. 3085-1001), às 24h. De R$ 10 a R$ 20. Domingo, às 14h, no Sesc Interlagos (Av. Manoel Alves Soares, 1100). De R$ 1,50 a R$ 7, e às 15h30 na Praça da Paz do Parque do Ibirapuera. Grátis.

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