Quarteto Novo e Isaías no primeiro dia

Na primeira noite de Violão Brasileiro tocam: André Gereissati, músico inovador que em 1990 foi indicado ao Grammy pelo disco Brazilian Images, em parceria com Paul Horn; Theo de Barros e Heraldo do Monte, integrantes do extinto Quarteto Novo, grupo formado em 1966 por ambos mais Hermeto Pascoal e Airto Moreira; e o grupo Isaías e Seus Chorões, dos maiores representantes do choro paulista. Cada um apresentará quatro números. No final, todos juntos, tocam Disparada, de Geraldo Vandré e Theo de Barros, canção vencedora do II Festival da Música Popular Brasileira, da TV Record. Em caso de bis, interpretam Ponteio, de Edu Lobo, que sagrou-se vencedor do III Festival da Record acompanhado pelo Quarteto Novo. "A gente que é músico dá muita importância ao encontro com os músicos. Para mim este festival é, antes de mais nada, uma oportunidade de rever o Theo e o André", comentou por telefone na tarde desta quinta-feira, aos sorrisos, Heraldo do Monte. Encontros fortuitos a parte, o músico acredita que o violão está renascendo no cenário da música popular brasileira e acha que o evento reflete esse renascimento. "Um colega carioca que tem e toca as mais modernas guitarras me contou que nos últimos seis meses só saiu de casa contratado para tocar violão". Seu próximo lançamento é Viola Nordestina, pelo selo carioca Kuarup. O disco já está em fase de mixagem. No show desta sexta Heraldo não pretende tocar músicas gravadas no único disco do Quarteto Novo, em 1967. "O problema é que a gente acha que o grupo é sagrado. Algo que aconteceu em uma época que a gente era realmente pioneiro. Para não banalizar esse reencontro a gente está cobrando muito caro", brinca novamente. Theo de Barros compartilha de opinião de Heraldo. "Eu farei meu número, e ele fará o dele, mas tocaremos Disparada juntos", comenta. Para ele o evento tem a função preponderante de divulgar determinados artistas que estão esquecidos pela grande mídia. "Algo que vem fortalecer a nossa resistência e a nossa identidade cultural". Sobre homenagear ou não Baden, declarou: "Mais do que tocar a sua música, estaremos reunidos em torno da lembrança de um nome que foi mais do que importante". Gereissati, que participou de evento similar a Violão Brasileiro realizado no Teatro Cultura Artística há dez anos, acredita ser o Brasil, por excelência, um celeiro de bons instrumentistas. "Para traçar um panorama real do violão brasileiro seria necessário um mês de shows", comentou. "Mas teremos uma boa amostragem neste final de semana". Ainda não sabe ao certo o que irá tocar. "Gosto de sentir a reação do público". Por fim, ressaltou: "É muito gratificante para nós brasileiros enxergarmos o quanto o violão no Brasil tem uma linguagem própria".

Agencia Estado,

01 de dezembro de 2000 | 00h24

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