Quando o CD chegou, há 17 anos, era para ficar

Quando o CD surgiu, há 17 anos, foi um pânico generalizado entre os colecionadores de discos. A resistência também foi generalizada - justificada pela baixa qualidade técnica dos primeiros CDs -, mas acabou sendo minada gradativamente. Primeiro, porque os CDs eliminavam a chiadeira que saía dos discos cada vez que se punha uma bolacha no aparelho estéreo. Nunca mais um "pulo" de uma agulha no vinil quebraria a atmosfera de contemplação criada por um belo disco.Mas a lusitana roda e o velho vinil acabou revelando suas outras qualidades com o passar do tempo. O elepê mantém-se como um fascinante objeto manuseável, geração após geração. Os DJs o redescobriram como ferramenta de trabalho, os artistas vêem na sua era uma época de grande e intensa criatividade gráfica - as capas dos elepês alargaram os limites da criação.Os LPs foram inventados em 1948 por Peter C. Goldmark, um violoncelista diletante que trabalhava na Divisão de Laboratórios da CBS (Columbia Broadcasting System). Ele já tinha inventado o primeiro sistema prático de TV em cores e desenvolvido o videoteipe.O chamado long-playing substituiu os antiquados discos de 78 rotações e marcou uma descoberta simples de Goldmark, baseada no princípio de que não era razoável que o sujeito tivesse de ouvir seis discos para chegar a ouvir um concerto inteiro. Goldmark aposentou-se em 1971 e registrou em livro sua história - Maverick Inventor: My Turbulent Years at CBS, editado pela Saturday Review Press, segundo nos conta Sérgio Augusto.Reinado - O CD começou seu reinado no início dos anos 80. Em 1982, a Philips holandesa e a Sony japonesa lançaram um disco compacto, de apenas 12 centímetros de diâmetro e que, em sua pequena superfície, conseguia carregar 60 minutos de som.Pouca gente acreditou que superaria o elepê. Custava, na época, 3.200 cruzeiros, o dobro de um LP comum. Requeria um novo aparelho, também caro e indisponível no mercado. Mas, em apenas cinco anos, o Brasil já os fabricava - não só os CDs, como os aparelhos.Em 1987, as gravadoras Warner, EMI, Polygram (hoje Universal) e CBS lançavam um pacote de 60 mil unidades de CDs, trazendo discos consagrados de Caetano Veloso, Maria Bethânia, Elis Regina, Gal Costa, Chico Buarque e Gilberto Gil.O pacote também marcava a entrada da primeira empresa brasileira de produção de compact discs, a Microservice - Microfilmagens e Reproduções Técnicas, que estava instalada no bairro do Limão, em São Paulo. A empresa tinha a capacidade de produção de 6 milhões de CDs por ano.O consumidor logo descobriria que havia um tempo de "maturação" de todo novo sistema. Os primeiros CDs tinham péssima qualidade - e ainda não era chegada a hora do "som perfeito".

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