DuHarte Fotografia/Divulgação
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'Quadrilátero', de Léo Gandelman, reúne saxofonistas no CCBB

'É uma experiência marcante, juntar amigos que se identificam através dos mesmos instrumentos', diz músico, que performa ao lado de nomes como Pretinho da Serrinha, Mauro Senise e Marcelo Costa

Bruno Cavalcanti, Especial para o Estadão

15 de agosto de 2021 | 05h00

Não é difícil reconhecer pelos corredores do andar que abriga o Teatro do Centro Cultural do Banco do Brasil, em São Paulo, o som do sopro do saxofone de Léo Gandelman, músico que desenvolveu trabalho característico na música popular do Brasil ao longo das décadas de 1980 e 1990, tendo produzido e participado de álbuns de nomes como Marina Lima, Nico Rezende e Gal Costa.

O som que cobre o teatro é apenas um dos que o público tem ouvido desde quinta-feira, 12, quando estreou no palco do CCBB Quadrilátero, espetáculo no qual Gandelman performa ao lado de nomes como Pretinho da Serrinha, Mauro Senise, Marcelo Costa, João Camarero, Nivaldo Ornelas, João Carlos Bigorna, Janaina Salles e Joanna Bello, entre outros ases da música instrumental brasileira.

“É uma experiência marcante, juntar amigos que se identificam através dos mesmos instrumentos e sair por aí tocando juntos”, diz o músico, idealizador e diretor artístico do espetáculo em que reúne, por dia, quatro músicos tocando a mesma família de instrumentos. No dia 12, foi a percussão, no dia 13, os instrumentos de sopro, no dia 14, as cordas dedilhadas e, por fim, neste domingo, dia 15, as cordas, a partir das 17h.

“Fui elevando os encontros à quarta potência e chegamos a quatro quartetos de quatro diferentes famílias de instrumentos, tocando em quatro cidades, com repertório homenageando quatro compositores principais”, conceitua o artista, que comanda as sessões no papel de apresentador e em eventuais participações abordando os repertórios de Ary Barroso, Moacyr Santos Radamés Gnattali, Astor Piazzolla e Heitor Villa-Lobos, além de sambas, choros e afro-sambas.

O espetáculo é um dos primeiros shows a ocupar o palco de um teatro em São Paulo, mas, a despeito da posição vanguardista, Gandelman procura não criar expectativas, principalmente no que diz respeito à aderência do público. “Esse negócio de pandemia é tão sério que é difícil ter expectativa. Enquanto o vírus estiver entre nós, é difícil saber como estarão as coisas na próxima semana. Mas esse projeto tem sido um alento para mim e para todos os artistas e técnicos envolvidos, no sentido de que temos trabalho pela frente.”

“Fomos os primeiros a parar em função da pandemia e a volta será difícil enquanto tivermos que evitar aglomerações. Para esses shows, que são promovidos pelo CCBB, temos tomado todos os cuidados e seguido à risca todos os protocolos exigidos. Todas as dependências do teatro são sanitizadas, todos os participantes são testados, o público é bem reduzido, enfim, você pode imaginar o trabalho extra que temos para produzir um show. Mas o público tem comparecido e dividido conosco a emoção da volta aos palcos, os shows têm sido maravilhosos e muito emocionantes, essa é a parte boa.” 

Quadrilátero é um projeto que surgiu há quase uma década, enquanto Gandelman viajava em turnê com Paulo Moura, Nivaldo Ornelas e Mauro Senise. A partir deste encontro, o músico decidiu expandir os eventos e as famílias de instrumentos musicais. A obra ganhou os palcos e agora retorna como o carro-chefe da retomada musical do CCBB enquanto se prepara para ganhar a rede em registro realizado em sessões passadas.

A escolha tem motivo de ser, uma vez que o espetáculo se tornou um dos grandes sucessos do Rio de Janeiro e arrebata multidões por onde passa desde 2012. Um acontecimento para a música instrumental, como pontua Gandelman, que acena para a dificuldade que a cultura geral vem enfrentando, mas abre um parêntese para esse estilo musical (“É difícil imaginar grandes sucessos em formas alternativas de cultura, especialmente aquelas não incluídas nos grandes sucessos da mídia aberta”).

“A Educação e a Cultura representam a história e a alma de um país. Não existe possibilidade de desenvolvimento em um país sem educação, sem memória e sem cultura. Não é só a economia que faz um país. Ser músico brasileiro fora do Brasil é uma honra, porque nossa música e nossa cultura têm o tamanho do nosso país, e nossa música, sem dúvida, é o nosso maior produto de exportação cultural, criando uma imagem maravilhosa de nosso país pelo mundo afora”, garante.

“A hora que os nossos governantes acordarem para a importância de uma política que ajude a fomentar nossa produção cultural, a divulgação da nossa imagem positiva pelo mundo certamente vai aumentar, beneficiando nosso turismo, nossas riquezas, nossa autoestima e criando cada vez mais um panorama de convivência pacífica entre as diversas tribos e ideais que fazem parte do nosso país. A ignorância é a escuridão, o conhecimento gera luz. E haverá sempre uma luz no final do túnel.”

 

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