Punk pop do Yellocard aterrisa em São Paulo

Em plena onda da "emomania" (e também da "emofobia"), desembarca neste sábado em São Paulo no Via Funchal uma das bandas rotuladas como emocore: o grupo Yellowcard, de Jacksonville, Flórida, que prefere o rótulo punk pop do que emo, mas também não cospe na bandeira."Achei estranho quando disseram que somos emo. Não sei como isso acontece. Pela definição, emo seriam bandas que fazem música com bastante emoção. Bom, isso existe no jazz, no rock, na música clássica. Red Hot põe emoção no seu som, Beethoven, Chet Baker. Eu não saio por aí chateado, pedindo: não nos chame assim, mas também não entendo o que isso quer dizer", disse ao Estado o guitarrista Ryan Key, do Yellowcard.Quer queira quer não, Key terá hoje uma fila na frente do Via Funchal de garotos de preto com franja tapando um dos olhos. Semelhante a grupos como Blink-182, Simple Plan, Good Charlotte, o Yellowcard diz que não foi devoto do punk rock pioneiro, como The Clash e Ramones. "A segunda onda do punk foi mais importante pra gente, coisas como NOFX, Bad Religion, Green Day."Key afirma inclusive que essa última banda, o Green Day, tem a ver com sua trajetória pessoal. "Não é segredo para ninguém que nosso disco mais recente não está vendendo tanto quanto o primeiro. O Green Day teve o mesmo problema. Depois de vender 10 milhões de discos em 1994 (o álbum "Dookie"), eles amargaram um tempo ruim (o disco seguinte, Insomniac, vendeu bem menos), depois se recuperaram. Isso mostrou suas faces de pessoas reais, tirou aquela coisa de super-herói do rock. Acho que estamos passando pelo mesmo processo", diz Key. "Gosto do som deles. Não falam de política como se fizessem um discurso, mas da política real. Fazem canções atemporais."Além de Ryan Key, o Yellowcard tem Sean Mackin (cantor), Longinev Parsons III (bateria) e Ryan Mendez (guitarra), substituindo Benjamin Harper, que saiu recentemente. Sean é o compositor. "Ele toca muitos instrumentos, tem facilidade em escrever, fazer arranjos e depois recriar aquele som." O grupo chegou a usar uma orquestra de 25 instrumentistas em disco. "Não sei o que usaremos no próximo, acho que buscaremos uma abordagem mais teatral."O nome Yellocard é de fato uma brincadeira com o cartão amarelo do esporte, punição de advertência. Por sinal, em seu disco "Ocean Avenue" (2003), Ryan Key colocou no encarte o documento de uma transgressão escolar que sofreu no ano 2000 por "posse de álcool", proibida a menores na Flórida. A rebeldia é mesmo algo muito relativo. Yellowcard. Via Funchal.Rua Funchal, 65, Vila Olímpia, 3897-4456. Amanhã,22 horas. R$ 100 a R$ 150

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