Público vaia atraso na abertura dos portões

A abertura dos portões da Cidade do Rock, prevista para às 13h, atrasou hoje cerca de 45 minutos. Segundo a assessoria de imprensa do festival, não houve motivo exato para o atraso, apenas o acerto de alguns detalhes. No entanto, os portões foram abertos somente para um aglomerado de 50 pessoas, entre as quais estavam os primeiros fãs. Às 13h45, a outra parte do público formada por aproximadamente 300 pessoas foi barrada por no mínimo uma hora. A pequena falha rendeu as primeiras vaias do festival, ainda fora da Cidade do Rock, com quase mil pessoas. Para vaiar, o público ganhou, além do incentivo causado pelo cansaço da espera e o sol de rachar do Rio, o estímulo do cover de Raul Seixas, Paulo Rios, de 39 anos. O roqueiro provocou a primeira manifestação do festival. Ouvia-se do público frases como: "hoje vocês seguram a galera do Milton (Nascimento), quero ver segurar a do Iron Maiden". Ele, que é de Rondônia, encarou quatro dias de viagem para assistir aos shows de James Taylor e Gilberto Gil. "Eles fazem o rock da paz", afirmou. Além de cover de Raulzito, Rios é cantor de música sertaneja. "Música é música, não tem fronteiras", disse. "O que importa é o mundo melhor". Após a entrada tardia na cidade, ele aproveitou o início do Rock in Rio em um dos quatro palco de música do evento a Tenda Brasil. Delirou com o show da banda curitibana Relespública.Já o fã do festival carioca, o balconista Eder Toni Urbaneza, 30 anos, que teve o privilégio de entrar na primeira leva de 50 pessoas, estava no primeiro dia de Rock in Rio somente para prestigiar os três minutos de silêncio em prol de um mundo melhor. Paulistano e fã de Beck, Foo Figghters e R.E.M. ele disse que só assistiria ao show de James Taylor se "encontrasse uma garotinha para namorar". Ele chegou à Cidade do Rock às 17h20 do dia 11. Disse que contou com ajuda dos seguranças para se alimentar e dormir. Ele gastou com essa aventura pelo mundo do rock um terço do seu salário de R$ 600 00.Oficial - A abertura oficial do festival foi às 19h, com o espetáculo da Orquestra Sinfônica Brasileira, com a regência do africano Ray Lema. Mas durante o dia outros shows ocorreram nas tendas. A tenda Brasil, mesmo com o atraso da abertura do portões dificultando o acesso do público, manteve a programação com as apresentações dos grupos Oficina G3, Hagabaceira, Relespública e Patrícia Coelho. A tenda Raízes iniciou com o show de Henri Dikongué, de Camarões. A tenda Mundo Melhor foi aberta por um debate sobre a religião e a paz, com a presença de Roberto Medina, empresário responsável pela realização do Rock in Rio, José Ramos Horta, o ministro José Sarney Filho, Milú Vilela, entre outros.

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