Psicólogo poderá ajudar Herbert a encarar desastre

O neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho disse hoje que o cantor Herbert Vianna só terá condições de receber a notícia sobre a morte da mulher, Lucy Needham Vianna, dentro de um mês. Niemeyer explicou que apesar de Herbert reagir ao som de vozes, abrindo os olhos, ele ainda não entende as palavras. "Ele precisa estar lúcido e isso não vai ocorrer em menos de 30 dias. Acredito que ele vá suportar bem", arriscou o médico.Ontem, o pai do músico, o brigadeiro Hermano Vianna, havia revelado a preocupação com a reação de Herbert ao saber que Lucy havia morrido na queda do ultraleve pilotado por ele. "Nossa preocupação para a reintegração dele à vida pessoal, com os filhos e quando vier a saber do falecimento da nossa Lucy", disse o brigadeiro.Niemeyer informou que a família e a equipe médica ainda não discutiram como será a conversa com Herbert, mas que um psicólogo pode ser contratado para ajudar na tarefa. "Ele precisa estar acordado, informar sobre o que está sentindo. Quando chegar a essa fase, vamos conversar com a família", afirmou o médico.Também depende da lucidez de Herbert a avaliação dos médicos sobre o impacto que o músico sofreu na medula, quando eles saberão se houve ou não lesão permanente. O cantor abre os olhos e mexe os braços espontaneamente, mas não tem reflexo nas pernas. "A preocupação quanto à paraplegia persiste", afirmou Hermano.Os médicos continuam alternando entre a respiração artificial e a espontânea. Até o fim da semana, o aparelho deverá estar desligado. Ele não foi submetido hoje a tomografias. "Herbert está evoluindo bem e os exames diários não são mais necessários".Inquérito - O delegado José Pedro marcou para depois do carnaval o depoimento do cineasta Lui Faria, marido da cantora do grupo Kid Abelha, Paula Toller, considerado um dos mais importantes relatos para a conclusão do inquérito que apura as causas do acidente de ultraleve sofrido por Herbert Vianna. Faria participou do resgate do cantor e de sua mulher. "Ele teve participação mais direta do que o Dado Villa-Lobos (que já prestou depoimento)", disse o delegado. Faria está no Pantanal e só retorna ao Rio próximo ao carnaval. Paula Toller também será ouvida. Ontem, o delegado tomou o depoimento de um pescador, identificado apenas como Fabrício, que estava na praia de Mangaratiba, litoral sul do Rio, onde ocorreu a queda do ultraleve. "Ele confirmou que Herbert não fez manobra radical, mas um vôo rasante por cima de uma casa, e depois caiu", contou o delegado. Ele só poderá incluir o inquérito quando o Departamento de Aviação Civil (DAC) divulgar o laudo sobre as causas do acidente - o que deve ocorrer em 50 dias. Partes do ultraleve foram enviadas para o Centro Tecnólogico da Aeronáutica (CTA), em São José dos Campos.

Agencia Estado,

14 de fevereiro de 2001 | 17h19

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