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Projota lança seu primeiro single internacional, com Orishas e Mario Bautista; ouça

'Qué Pasa' mistura elementos de reggaeton e rap; cantor paulistano também comentou o projeto 'Tributo aos Sonhadores', de cuja segunda parte o single faz parte

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

25 de outubro de 2019 | 13h00

Em seu primeiro esforço de internacionalização — palavra que vem ganhando tração na música pop nacional — Projota lança nesta sexta-feira, 25, o single Qué Pasa, em parceria com o cantor mexicano Mario Bautista e o icônico grupo de hip hop cubano Orishas. A música inclui elementos de reggaeton e do rap romântico pelo qual o brasileiro é mais conhecido, embora a denominação não o agrade, e tem um clipe gravado em Madri e na Cidade do México.

Projota explica que a música não surgiu de uma vontade de “exportar” seu trabalho, mas pode ser sim uma oportunidade nesse sentido. “A gravadora sempre me falou que existia um potencial de fazer sucesso fora do Brasil, mas até agora eu não tinha sentido o momento certo”, disse, na sede da Universal em São Paulo, no bairro do Paraíso. “Eu sempre me perguntei como fazer isso. Vai ser em português ou em espanhol? Em inglês? Vai ser natural?”, diz. “Até agora foi difícil sair desse lugar onde eu estava.” 

Mas com Qué Pasa, ele conta que a música “surgiu”. “A batida chegou, eu pirei, escrevi o refrão cantando com a voz dos Orishas na cabeça”, afirma — ele conta ter crescido ouvindo o grupo de origem cubana, fundado em 1999. “Só com essa primeira versão, com a minha própria voz, comecei a ter essa perspectiva (de levar sua música para fora do Brasil). Existia um muro que não me deixava ver o outro lado, mas agora consigo ver e tenho vontade, sim, de ir ali.” Veja o clipe:

O rapper paulistano já havia regravado uma canção de um ainda ascendente J Balvin, no primeiro disco da carreira, Foco, Força e Fé (2014), mas nos últimos anos se dedicou a consolidar sua carreira no Brasil. Ocupando palcos diversos, do Rock in Rio a shows no interior do país e programas de TV, o rapper já acumulou mais de um bilhão de streamings nas plataformas e suas músicas, com parcerias variadas como Anitta e Anavitória, têm alta rotação nas rádios do País.

Qué Pasa é também o primeiro single da segunda parte do seu novo projeto, Tributo aos Sonhadores. A parte I foi lançada em abril, com 8 músicas sobre diversos outros assuntos e não apenas o amor: uma vontade do rapper de atingir mais gente, além da sua base de fãs. 

Pelo menos duas canções tocam diretamente na depressão, tema caro ao rap contemporâneo e que Projota traz para o disco após muita reflexão, e um período em que ele mesmo teve que enfrentar a doença. “Eu fiquei num período sem vontade de sair do meu apartamento, sem querer fazer shows, só assistindo Breaking Bad. Pedi ajuda para amigos porque percebi que estava deprimido”, explica.

Em Celta Vermelho, ele faz uma música sobre um tema que sempre mencionou em entrevistas. Questionado sobre quando teria alcançado o sucesso (“era ter uma música #1? ou fazer uma parceria com a Anitta e ser o primeiro rap a bater 100 milhões de views? Pode ser”), mas ele sempre se lembrava de quando comprou seu Celta vermelho, o primeiro carro.

“No ‘sonho americano’ é comprar uma casa e montar uma família. O ‘sonho brasileiro’ era para mim alugar um apê e comprar um carrinho, e ajudar minha vó”, explica. Na canção, ele aborda a questão de frente: “Carreguei minha cruz, e com meu suor hoje eu faço jus / à promessa que eu fiz pra minha vó, de que nunca mais iam cortar nossa luz”.

O disco é pontuado pelo violão, instrumento com que Projota começou a compor e colocar rimas em cima, e tem acenos ainda para Chorão (“um dos meus ídolos, ao lado de Renato Russo e Belchior”), Drake (em Sei Lá, música que fez para sua esposa) e conta com a presença do onipresente Luccas Carlos.

Na entrevista, Projota ainda comentou de passagem uma polêmica que “renasceu” com o Rock in Rio (no qual ele fez este ano pela primeira vez um show completo, com banda, carregado de hits): o playback. “Como artista, eu não critico ninguém, respeito todo mundo. Só o artista sabe como montar o seu show, se no dia ele está rouco, se está virado da noite passada. Mas eu não consigo me imaginar fazendo playback, mesmo sendo rap, mesmo sendo show com DJ”, diz.

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