Projeto Um Sopro de Brasil é lançado no Sesc Pinheiros

A primazia da música sempre coube à voz humana, mas, embora a percussão venha em seguida, a vibração provocada pelo sopro é a que mais naturalmente estabelece a relação com o básico da existência. "Tudo começa com uma profunda inspiração", como diz o flautista e saxofonista Teco Cardoso, sem trocadilho. No histórico fonográfico da música brasileira, o sopro veio antes da percussão, por conta das limitações técnicas de gravação. Enfim, essa categoria de instrumentos tem papel significativo na música popular do País e um sem-número de grandes músicos. Cerca de 250 deles se reuniram em shows e oficinas em 2004 como parte do projeto Um Sopro de Brasil. O registro desses encontros está no kit com um CD, dois DVDs e um livro, que será lançado sábado e domingo no Sesc Pinheiros, na capital paulista. Participam dos shows de lançamento músicos que participaram do projeto, como Altamiro Carrilho, Paulo Moura, Maurício Einhorn, Teco Cardoso, Mané Silveira e Vittor Santos. Primoroso da execução ao acabamento, Um Sopro de Brasil é a sétima etapa do amplo Projeto Memória Brasileira, pilotado pela produtora Myriam Taubkin, que desde o final dos anos 80 vem traçando um abrangente perfil da música instrumental brasileira. Com enfoque diferente dos anteriores - O Brasil da Sanfona (2004) e Violões do Brasil (2005) - , este celebra o encontro dos maiores músicos de sopro em atividade no País. E contextualiza a categoria, em toda sua diversidade e versatilidade - do rudimentar pífano (ou pife) ao sofisticado fagote - , no mapa musical brasileiro. "Este trabalho conseguiu reunir de uma só vez tudo o que o sopro significa: os instrumentos, os timbres, formações diversas", diz Myriam, que idealizou o projeto com Morris Picciotto. Com fotos de Gal Oppido, o livro tem depoimentos de Moacir Santos, Raul de Barros e Severino Araújo; um pequeno histórico do uso dos sopros na orquestração da música popular brasileira; perfis históricos de grandes mestres, como Pixinguinha e Patápio Silva. Os DVDs, além de apresentações antológicas de grupo e solistas - como Banda Mantiqueira, Quinteto Villa-Lobos, Uakti, Joatan Nascimento, João do Pife, Paulo Moura, entre muitos outros - , mostram um panorama das diferentes formações instrumentais, breves depoimentos dos músicos participantes e como funcionam os principais instrumentos de sopro. Dirigido por Benjamin Taubkin, o CD reúne momentos marcantes dos mesmos shows do DVD e é o primeiro da série de três que o selo Núcleo Contemporâneo vai lançar. O kit custa R$ 120 e como os demais produtos do Projeto Memória Brasileira é de valor inestimável. Um Sopro de Brasil. Teatro do Sesc Pinheiros (1.010 lug.). Rua Paes Leme, 195, 3095.9400, Pinheiros. Sábado, às 21 h; dom., às 18 h. R$ 10 a R$ 20

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