Projeto salva obra musical do esquecimento

Depois de Alberto Nepomuceno,Leopoldo Miguez, Lorenzo Fernandes, chegou a vez de HekelTavares, Henrique Oswald e Francisco Mignone. Na semana que vem,a Orquestra Sinfônica de Santo André, com a participação dopianista Arthur Moreira Lima e regência de Flávio Florence, dáseqüência ao projeto Memória Musical, que desde 1998 resgata,digitaliza e apresenta obras esquecidas - ou a caminho doesquecimento - de autores brasileiros. A iniciativa surgiu de um encontro casual do violinistae pesquisador alemão radicado no Brasil Erich Lehninger - spallada Sinfônica do Teatro Municipal do Rio - com a produtora AnnaNery de Castro, após uma apresentação no Festival de Inverno deCampos do Jordão. "Eu o procurei após o recital para quecomentasse a peça que ele havia executado e ele, após me falarque era uma obra de Alberto Nepomuceno, mostrou-me apartitura." Era uma cópia de manuscrito, toda rabiscada,repleta de problemas na edição. "Fiquei surpreendida: como eleconseguia tocar com a partitura daquele jeito?" Bem, com cuidado redobrado, sem dúvida. Mas o fato é queos dois compartilhavam a idéia de que não precisava, ou devia,ser assim e resolveram, após algumas conversas, criar o projetoMemória Musical, que tem a intençãode ir adiante no restauro de obras de nomes comoVilla-Lobos, Guerra Peixe, Alexandre Levy e Radamés Gnattali,entre outros autores. Recuperação - O projeto abarca todas as etapas darecuperação das partituras. Tem início na pesquisa e nacomplicada tarefa de encontrar os manuscritos, segue para adigitalização, depois para a revisão, e termina na apresentaçãodas obras. Cada etapa inlcui não apenas uma, mas todas as obrasque serão apresentadas no final. Não são poucos os percalços. Anna conta, como exemplo,as aventuras de Lehninger na busca por uma das sinfonias de JoãoGomes de Araújo. "Após muito tempo pesquisando no Brasil, ondesó encontrava fragmentos de algumas peças, ele resolveu ir àAlemanha, uma vez que a filha do compositor morou lá por algumtempo. Não obteve sucesso e, semanas mais tarde, acabou noConservatório Dramático e Musical de São Paulo, onde encontrou apeça em meio a uma pilha de partituras empoeiradas." Mesmo após a digitalização e a revisão - que é feita pormúsicos e especialistas -, a edição da peça ainda não estápronta. "Durante as apresentações, os músicos ainda fazem umasérie de alterações e revisões, que depois são incorporadas emuma nova digitalização", explica Anna, reforçando a importânciados concertos dentro da estrutura do projeto. Após a finalizaçãoda edição, as partituras são encaminhadas à Academia Brasileirade Música, onde podem ser consultadas e adquiridas por músicos eorquestras do Brasil e do exterior. "Em alguns casos, porém, épreciso se entender com os herdeiros que ainda possuem osdireitos de obras que não caíram em domínio público." Investimento - Todo o processo custa, em média, R$ 200mil por etapa, valor que inclui desde os gastos com a pesquisaaté aqueles necessários para a produção dos concertos econtratação dos solistas. Ao longo destes quatro anos,Volkswagen, Ultragaz, Infraero, Siemens e BNL já investiram noprojeto. Neste ano, o concerto (e a recuperação das obras que ocompõem) está sendo bancado pela Petroquímica União.Interessados em mais informações podem entrar em contato com aNery Cultural pelo telefone (11) 6281-8530.

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