Carlos Garcia Rawlins/ Reuters
Carlos Garcia Rawlins/ Reuters

Projeto musical da Venezuela recruta jovens de baixa renda

Programa Novos Membros, criado em 2012, inscreve as crianças logo ao nascerem; iniciativa integra o bem-sucedido O Sistema

Diego Oré e Efrain Otero, REUTERS

13 de outubro de 2014 | 18h23

Adan Bello, nascido em Caracas, mal chorou quando nasceu. Em seguida, os olhos do bebê venezuelano se voltaram para a melodia tranquila de uma dupla de harpistas que tocavam a Canção do Berço, de Brahms, no canto da maternidade do hospital público.

Minutos mais tarde, sua mãe recebeu um certificado inscrevendo Adan no programa de música clássica altamente bem-sucedido da Venezuela conhecido como O Sistema.Adan recebeu uma pequena réplica de um violino.

Desde sua criação em 1975, o programa estatal já treinou 2,5 milhões de jovens, a maioria de famílias de baixa renda, incluindo Gustavo Dudamel, o renomado maestro da Filarmônica de Los Angeles.

“Uma criança que adota um instrumento musical nunca irá empunhar uma arma”, disse Leonardo Méndez, coordenador da iniciativa Novos Membros, do Sistema.

Em uma nação repleta de armas e com uma das maiores taxas de homicídio do mundo, há décadas o Sistema busca contrapor a exposição das crianças à violência com a influência suave e inspiradora da música clássica.

A iniciativa só costumava admitir pupilos de pelo menos cinco anos de idade, mas nos projetos mais recentes dos Novos Membros centenas de crianças mais jovens podem receber aulas de canto, iniciação musical com instrumentos feitos de papel e concertos gratuitos em sua sede em Caracas.

Alguns músicos do Sistema estão atuando em hospitais, como aquele no qual Bello nasceu, onde tocam temas clássicos para as mães em trabalho de parto para inspirar novos amantes da música até antes do nascimento.

Criado por José Antonio Abreu, um economista e músico venezuelano, o Sistema teve um enorme impacto positivo no país e foi copiado em nações sul-americanas como Colômbia, Peru e Bolívia e ainda em locais como Escócia, Suécia e em cidades norte-americanas como Los Angeles.

O programa Novos Membros, que teve início em dezembro de 2012, foi concebido quando Méndez teve uma epifania: sua filha de três anos não conseguia dormir, e bastou ele colocar um CD de música clássica para ela pegar no sono.

Percebendo que a música ajuda as crianças a relaxarem e acelera o desenvolvimento cognitivo, ele usou esse gancho para atrair mulheres grávidas e mães com crianças pequenas e inscrevê-las no projeto.

“Por que esperar se podemos envolver as crianças já no nascimento?”, indagou o trompetista profissional de 42 anos.

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