Projeto do CCBB reúne 15 bambas no Rio

Quinze dos maiores compositores do samba estarão mostrando suas músicas no Centro Cultural Banco do Brasil, no centro do Rio (Rua 1.º de Março, 66, telefone 21-3808-2020). Serão seis espetáculos, nesta terça-feira e nas duas próximas terças, com primeira apresentação às 12h30 e reapresentação às 18h30. Os ingressos, como o samba, são para todos: custam R$ 6,00. Estudantes pagam a metade. O projeto conta com exposição de fotos de Bruno Veiga e lançamento de CD homônimo.Os 15 bambas são atração do projeto Meninos do Rio, idealizado pelo produtor Paulinho Albuquerque, co-reponsável - produzindo carinhosamente, amorosamente - pela beleza de discos de Guinga, Ivan Lins, Fátima Guedes e outros brilhantes.Com Meninos do Rio, Paulinho vai ao samba de raiz. Foi às escolas e convocou seus principais compositores de sambas-enredo, sambas de partido-alto, sambas de terreiro e de quadra. Explica, no programa do projeto: "O fato é que o samba-enredo acabou por se tornar a única manifestação carnavalesca a receber atenção, encobrindo as outras formas existentes no seio das escolas; felizmente, apesar da pouca exposição, essas formas ainda estão vivas na memória popular, no trabalho constante de grandes mestres e na história cultural da cidade."Serão 25 músicas por show, cinco de cada convidado do dia. Nesta terça-feira, apresentam-se Jair do Cavaquinho (Portela), Nei Lopes (Vila Isabel), Jurandir da Mangueira (Mangueira, naturalmente), Zé Luiz (Império Serrano) e Luiz Grande (Imperatriz Leopoldinense).Na terça-feira que vem, dia 13, as atrações programadas são Nelson Sargento (Mangueira), Aluízio Machado (Império Serrano), Casquinha (Portela), Dauro (Salgueiro) e Niltinho Tristeza (Imperatriz Leopoldinense).Nos dois shows do dia 20, cantam Monarco (Portela), Baianinho (Em Cima da Hora), Campolino (Império Serrano), Dona Ivone Lara (também da Império) e Elton Medeiros (Aprendizes de Lucas).A turma da cozinha - os músicos que acompanham as atrações principais - é da pesadíssima: Cláudio Jorge (violão), Carlinhos Sete Cordas (violão de sete cordas), Wanderson Martins (cavaquinho), Gordinho (surdo), Marcelinho Moreira, Armando Marçal, Ovídio Brito e Felipe de Angola (percussões), mais coro com Ary Bispo, Cavalo, Copacabana, Jurema de Cândia e Dinorah.Se o leitor, por acaso, não conhece alguns desses tantos nomes citados, conhece, com certeza, a música que eles assinam, o som de seus instrumentos. Os músicos, por exemplo, estão nos discos e shows de Martinho da Vila, Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Christina Buarque, Wilson das Neves e de quem mais freqüente a linha de frente do samba.Os compositores - para falar dos de amanhã - são autores de músicas que, sem dúvida, todos conhecem. O campista (de Campos, interior do Estado do Rio) Jurandir Pereira da Silva dito Jurandir da Mangueira, é autor de Cem Anos de Liberdade: Realidade ou Ilusão?, enredo de 1988, e dos sambas de quadra - aqueles que não vão para o desfile, que são cantados nas reuniões da escola - Transformação e Vovó Chica; Jair do Cavaquinho é parceiro de Nelson Cavaquinho em Vou Partir e Quando a Cidade Dorme; Nei Lopes é o autor de Senhora Liberdade e do enredo Flor dos Tempos; de Zé Luiz todos já ouviram Todo Menino É um Rei; e de Luiz Grande, o sucesso - na voz de João Nogueira - A Força do Samba. Aliás, é disso que se trata. Da força do samba.

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