Renan Facciolo/Divulgação
Renan Facciolo/Divulgação

Project46 cria sua nova 'sinfonia destrutiva'

Novo disco do quinteto de metal paulistano está mais extremo e traz temas muito mais ácidos

Luiz Fernando Toledo, O Estado de São Paulo

25 de março de 2014 | 06h10

A sensação de ouvir Project46 pela primeira vez é quase tão impactante quanto a descida de uma montanha-russa. Veloz, precisa, poderosa e, na ânsia dos primeiros segundos, pode estontear o marinheiro de primeira viagem. O Estado teve acesso ao álbum mais recente da banda de metal de São Paulo, Que Seja Feita a Nossa Vontade, o segundo do quinteto, que será lançado oficialmente no dia 8 de abril.

Três anos após Doa a Quem Doer, centenas de milhares de novos fãs e um ano depois de dividir o palco com gigantes como Slipknot e Killswitch Engage no festival Monsters of Rock, em São Paulo, a novidade era inevitável.

E com mais intensidade do que seu antecessor (Doa a Quem Doer está disponível gratuitamente na internet), os músicos Caio MacBeserra (vocal), Jean Patton (guitarra e vocal), Vinicius Castellari (guitarra), Rafael Yamada (baixo e vocais) e Henrique Pucci (bateria) investiram pesado em 10 faixas durante quatro meses de gravações.

 

"O disco está muito mais extremo do que o outro, com temas muito mais ácidos", explica Patton. É também a estreia de Henrique Pucci na bateria, que não deixou nada a dever na sua estreia. Com fortes influência dos também paulistanos do Claustrofobia, as músicas são embaladas por um pedal duplo certeiro e "porradas" concatenadas com riffs cortantes dos guitarristas.A "sinfonia destrutiva" se completa na voz encorpada de MacBeserra, que em alguns momentos soa como o Sepultura dos anos 90.

Em outros momentos, como na última faixa do álbum, toques de trash metal são perceptíveis: baixo e bateria sintonizados, vocal rápido e rouco, muitas vezes gritado. É um sinal de que os camaradas do Slayer, famosa banda do estilo, também fizeram a cabeça do quinteto. Não por menos: em 2012, as duas bandas tocaram no mesmo palco durante o festival Maquinaria, no Chile.

Identidade própria. Apesar das influências declaradas, o Project46 traz, em seu segundo trabalho, identidade própria. As letras não poupam esforços nem medem a idade da audiência. Servem, na verdade, ao ouvido calejado e sem receio de ouvir muitos palavrões e frases de ordem. "Não falamos de forma bonita. A gente fala direto e reto. E, se precisar, dá um tapa na cara", brinca Castellari.

Todas cantadas em português, decisão pouco comum entre as bandas do gênero. "Percebemos que soava muito bem. A letra se tornou mais um instrumento na banda", comenta Yamada, autor de boa parte dos textos.

A faixa 7, Empedrado, trata de um tema caro ao brasileiro, especialmente em São Paulo - a dependência do crack e as dificuldades sociais que impossibilitam o usuário de buscar outro caminho. "Contamos a história das crianças que crescem viciadas. É sobre o sistema que vicia essas crianças", afirma o baixista Yamada.

O Project46 também mostra o álbum em festival marcado para o dia 11 de maio, no Carioca Club, em São Paulo. Ao lado deles, tocam os músicos das bandas John Wayne, Worst, Pray for Mercy, Oitão e Surra.

Tudo o que sabemos sobre:
Project46Heavy MetalSão Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.