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Programação do Teatro Municipal reverencia Brahms e Mozart

Espetáculo teve regência de Eduardo Strausser com a OSTM

João Marcos Coelho, ESPECIAL PARA O ESTADO

18 de novembro de 2015 | 20h07

Muito conhecidos, os dois concertos para piano programados para o fim da tarde de domingo, 15, reservaram surpresas positivas para o razoável público presente no Teatro Municipal de São Paulo. Em primeiro lugar, o pianista baiano Ricardo Castro, tão competente em seu instrumento quanto regendo. Na sequência, a atuação irrepreensível das trompas solistas da Orquestra do Teatro, principalmente nos dois primeiros movimentos do concerto n.º 2 de Brahms.

No terceiro movimento, o Andante, a cargo do spalla dos cellos, Raiff Dantas Barreto, emocionou: afinal, aqui o violoncelo toma o lugar do solista oficial, que quase se limita a acompanhá-lo, numa lírica e apaixonada melodia que nos faz pensar que esta é uma amostra do que seria o concerto para violoncelo que ele jamais compôs. Em geral, o nome do violoncelista é mencionado nos programas em que este concerto está presente.

Castro construiu uma primeira parte de excelência. Na Abertura Festival Acadêmico, opus 80, de Brahms, e regendo sem batuta e sem pódio, o pianista mostrou que o trabalho de mais de dez anos à frente de sua renomada orquestra juvenil NeoJibá em Salvador deu-lhe consistência como maestro. Ressaltou sem exagero o caráter dançante desta obra curta, em que Brahms costura canções estudantis.

Reger do piano era o costume do próprio Mozart em seus concertos. Castro alcançou um excelente nível de integração com a OSTM reduzida no famoso concerto n.º 9, K. 271. Transferiu sua sutileza de toque e adequação estilística à orquestra. Como no Rondó final, em que um minueto irrompe como delicioso corpo estranho na parte central.

O segundo concerto para piano de Brahms ofereceu outro tipo de obstáculos. Também chamada de sinfonia com piano, nela o solista e os diversos timbres da orquestra se interligam de modo orgânico. A parte do piano solista é tecnicamente muito exigente, mas jamais soa pirotécnica. Talvez por causa da surpreendente intimidade que se mantém entre os naipes e o solista, num discurso típico da música de câmara.

As trompas e o belíssimo solo de cello de Raiff seduziram os ouvidos da plateia. Num clima desses, a regência entusiasmada, mas apenas correta, do maestro residente da OSTM Eduardo Strausser não atrapalhou. Ao contrário, harmonizou a qualidade do piano de Castro com os demais solistas espalhados pelo tecido sinfônico. O concerto dura quase 50 minutos – que passaram rápido, porque a música envolveu a todos. Esta série de concertos sinfônicos foi concebida para preencher o buraco causado pelo cancelamento de óperas por causa da crise econômica. Um plano B que vem dando certo.

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