JF DIORIO / ESTADÃO
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Produção brasileira de LPs cresce 60% ao ano

João Augusto, consultor da única fábrica de vinil do País, fala da retomada impressionante dos vinis nos últimos anos e aponta para ainda mais crescimento

Julio Maria, O Estado de S. Paulo

18 de abril de 2015 | 03h00

Quarenta e cinco discos clássicos de música brasileira relançados, além da crescente fabricação de LPs a pedido de novas bandas e artistas. A demanda pelo vinil não para de crescer, a ponto de fazer a produção aumentar uma média de 60% ao ano, congestionando as prensas da Polysom, única fábrica de vinil que reúne todas as fases de produção da América Latina. Uma virada no mercado que começa a provocar seu primeiro sintoma colateral. Se antes a preocupação de seu investidor, o produtor e empresário João Augusto, era não quebrar ao acreditar em um negócio “falido”, como diziam seus amigos em 2009, quando ele comprou a antiga fábrica, a questão, hoje, é atender à demanda que só cresce. “Chega uma hora em que você não entrega porque tem muito mais procura do que capacidade de produzir. Toda hora você tem que pensar em uma prensa nova, colocar novos funcionários. A empresa está colocando esta prensa, mas a gente sabe que ela não vai alcançar a demanda, que cresce em projeção absurda”, diz João Augusto.

A paixão pelo ritual, para o empresário, é o motor que impulsiona a procura. Os números são de parar as máquinas. “Há um aumento de pelos menos 60% ao ano tanto de fabricação quanto de venda de vinil no mundo. É o mesmo número nosso no Brasil. A empresa cresceu, de 2012 a 2013, 63,50% e, no ano seguinte, 63%. É muita coisa”, diz João, hoje consultor da Polysom.

Seria motivo de comemoração neste Record Store Day, uma celebração ao culto das lojas de discos criada nos Estados Unidos, não fosse a preocupação com a produção limitada. “Chega uma hora em que você não consegue mais fabricar, não tem mais capacidade, todo mundo está no limite, no mundo inteiro. A Polysom, quando começou, pedia 45 dias para entregar. Hoje pede 60. Lá fora, se você pede um disco em uma fábrica, eles vão te entregar em quatro meses.”

Outro funil para um retorno em maior escala são os aparelhos de toca-vinil, um mercado que acorda lentamente e que ainda não produz equipamentos com qualidade similar às velhas marcas dos anos 60 ou 70. Seria só preciosismo se tal limitação não implicasse em decisões de fabricação para tornar os LPs compatíveis com os aparelhos. “O controle de qualidade da Polysom é feito com muita rigidez, mas em aparelho de alta qualidade, Technics, Newmark. Acontece que existem uns toca-discos no mercado de qualidade muito ruim e tudo o que a gente conquistou de som bom em alguns discos tivemos de mexer para não ficar pulando nessas vitrolas pequenas. Antigamente, as fábricas pouco se lixavam para isso. O cara comprava um disco e, se o disco pulasse, ele pegava uma caixa de fósforo e a colocava em cima do braço. Hoje esses toca-discos são tão fracos que nem o fósforo resolve. Para atender aos dois aparelhos, temos de mexer na equalização, tirar grave, baixar volume, botar o grave no centro. São processos que a gente não gostaria de fazer. A gente não ouvia defeito na hora de fazer, mas as pessoas diziam, “olha, o disco está pulando na faixa tal”. Ainda assim, ressalta João, só uma comparação com o disco original em um bom aparelho apontaria as limitações dos LPs reeditados.

A Polysom acaba de colocar nas lojas o álbum Revólver, lançado por Walter Franco em 1975. Diante da questão “para onde estamos indo?”, João faz sua previsão: “Vai ser vinil e digital”. E o CD? “Eu não gosto de matar formato. Os outros que matem, depois eu vou no enterro. O CD foi vulgarizado, uma pena. O CD foi a melhor mídia, é uma pena que tenha ido parar naquelas gôndolas horrorosas."

FEIRA DE BOLACHAS

O Museu da Imagem e do Som (MIS) vai sediar neste sábado, entre meio-dia e 20h, o encontro de músicos, apaixonados por discos e vendedores de vinil que começa a se tornar tradição no Brasil. O Record Store Day, nascido nos Estados Unidos, vai receber centenas de lojistas dispostos a reforçarem a paixão pelo vinil. Estão previstos shows de Rômulo Fróes e Bruno Souto. Para ser o anfitrião deste ano, os organizadores chamaram o roqueiro Kid Vinil, que vai autografar seu novo disco, chamado Beatriz. Estarão no MIS uma média de 70 vendedores de discos, entre representantes de sebos, lojas e colecionadores. O Museu da Imagem e do Som (MIS) fica na Avenida Europa, 158. A entrada é gratuita.

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