Prince reativa antigas e boas fórmulas em novo álbum

Prince recuperou a identidade e voltou a reinar fiel ao velho estilo, depois de viver um bom tempo no limbo, a milhas do que já produziu de melhor. Supondo que o novo álbum, 3121 (Universal), corresponda a sua importância na história do pop já é meio caminho andado. O quesito novidade não deve ser abstraído, mas sem os atropelos da hora o material pode garantir sua reserva de prazer. Mesmo que não revolucione o mundo, Prince emite sinais de renovação e chances de, no mínimo, proporcionar momentos divertidos. Melhor a cada audição, 3121 é uma extensão aprimorada do bem-sucedido Musicology (2004) e reúne de novo aquela irresistível combinação de funk, pop, rock, soul e r&b com maestria. Como mais um item de excentricidade, Prince também envereda pela latinidad em Te Amo Corazón, derramando-se em romantismo sem perder o suingue. Lolita, Black Sweat e Love são daqueles funkaços eletrificados de trincar o assoalho. Bem como a tecno-roqueira Fury. Além de auto-referências, ele traz algo de Sly Stone, James Brown e do baú do soul dos anos 60/70, como na balada à Four Tops Satisfied e no funk dançante Get on the Boat, com metais em brasa, sensacional. Ao lado desta, o melhor de tudo é The Word, canção de linda melodia que ele conduz no violão acústico mesclado a efeitos de programação e sax. O geniozinho assina a produção, todas as composições e arranjos e, na maioria das faixas, toca todos os instrumentos. Está podendo como antes e merece todos os créditos.

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