Primeiros discos de Jorge Ben voltam ao mercado

Para Jorge Duílio Lima Menezes, tudo começou numa noite qualquer de 1963, na Bottle´s, uma boate do Beco das Garrafas, no Rio de Janeiro. Após a apresentação de Os Cariocas, com a boate quase vazia, ele subiu ao palco acompanhado do Copa 5 para cantar Mas Que nada. Um dos gatos pingados que ainda não tinham ido embora era um executivo da Philips. Em uma semana, saía o primeiro compacto de Jorge Ben, um esquema novo de samba. "Seu inato talento musical proporcionou-lhe descobrir uma nova ´puxada´ para o nosso samba - fazendo do violão um instrumento, sobretudo de ritmo", escreveu Armando Pittigliani no encarte de Samba Esquema Novo, o primeiro disco de Ben(Jor), hoje alma consagrada da música brasileira.Samba Esquema Novo e outros três discos de Benjor são o centro do pacote Samba & Soul (Universal Remasters), lançado há pouco sob a supervisão do baterista dos Titãs, Charles Gavin. Benjor, Tim Maia e Os Mutantes estão na gênese da moderna música pop nacional, os dois primeiros traduzindo gêneros internacionais, como o funk e o soul, para uma linguagem genuinamente brasileira. Os últimos fazendo a cópula definitiva do rock com a MPB.Em 1969, Jorge Benjor traduziu sua invenção musical como "uma batida de escola de samba depois do desfile". Seu ritmo híbrido criou problemas para ele no início, numa espécie de conflito revelador: quando foi cantar no programa Jovem Guarda, de Roberto Carlos, os produtores de O Fino da Bossa, da TV Record, não o quiseram de volta. "Diziam que música brasileira é uma só: samba", contou Jorge. "Se eu cantava em programas de iê-iê-iê, não cantava mais no programa deles". Mas Que nada foi gravada por Oscar Peterson, Dizzie Gillespie e Miriam Makeba, entre outros.Melodias simples, três ou quatro acordes em todas as músicas, um esquema de repetição de versos e uma abordagem coloquial da coisa poética. "A maravilhosa Deise, que namora o homem que engole raio laser."Benjor, o Babulina ou Zé Pretinho, está à beira dos 59 anos (faz aniversário em 22 de dezembro). "Como Heitor dos Prazeres na pintura, podemos considerar Jorge Ben o grande primitivista de nossa música popular", dizia um press release de divulgação do show de Benjor em 1974. Ouvindo seus primeiros grandes registros musicais, temos a impressão é que primitivistas nós somos agora.

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