Primeiro líder do Pink Floyd ganha coletânea

"Eu vi as melhores mentes de minha geração destruídas pela loucura", disse Allen Ginsberg em seu poema O Uivo. Os anos 60 foram uma barra-pesada para muita gente, mas uma das grandes perdas daqueles anos loucos foi Roger "Syd" Barrett, o primeiro guitarrista do Pink Floyd (também cantor e compositor), responsável pelo brilhante álbum The Piper at the Gates of Dawn, de 1967 (é co-autor também de algumas faixas no segundo álbum do grupo, A Saucerful of Secrets, influência confessa do Kraftwerk).Barrett deu uma pirada em 1968 e foi convidado a sair da banda pelos colegas. Auxiliado por Peter Jenner, ex-agente do Floyd, ele levou dois anos para gravar seu primeiro disco-solo, The Madcap Laughs. Parte da história da peregrinação de Barrett pós-Floyd aparece agora numa coletânea cheia de faixas inéditas, Wouldn´t You Miss Me - The Best of Syd Barrett (EMI).Além de The Madcap Laughs, a coletânea traz material dos discos Barrett e Opel e mostra uma figura ímpar no cenário do rock daquele tempo. Barrett e sua mente psicodélica tinham uma exuberante originalidade e misturavam fixações tanto na cultura popular (no caso, na inédita Bob Dylan Blues) como na chamada "erudita" (a faixa Golden Hair é um trecho de poema de James Joyce musicado).Às vezes folky, delirante, melódico como Paul McCartney e inquieto como Bowie em sua fase mais mood, Syd Barrett deixou 22 faixas reaproveitadas nessa coletânea. O material prova que o culto em torno de sua figura não é exagerado."Eu não acho que ele tenha perdido o circo pop", diz um dos mais ferrenhos seguidores de Barrett, o guitarrista do Blur, Graham Coxon. "Eu acho que ele se encheu e escolheu uma existência mais pastoral", considera.Basta dar uma ouvidinha em Here I Go para saber exatamente de onde vêm a inspiração e os trejeitos vocais de Damon Albarn, do Blur, em seu disco 13. Hippie movido a climas ritualísticos, Barrett reaparece como personagem único do seu tempo nessa coleção de canções, um alquimista em busca da pedra filosofal da música debaixo de sons de órgãos ecumênicos e guitarrinhas macias."Porque eu sou Mr. Dylan, o Rei, e eu sou livre como um pássaro voando", diz a letra de Bob Dylan Blues. Dylan foi uma das obsessões de Barrett, mas as guitarras em faixas como Wolfpack sugerem que seu incêndio visionário estava também muito à frente do seu tempo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.