Primeiro disco de Yamandú Costa chega ao mercado

Yamandú Costa é um dos maiores prodígios da nova música instrumental brasileira. Um violonistade tal domínio sobre o instrumento que é daqueles músicos de quem se diz: faz o que quer com o violão. Diz-se dele: é um vulcão de criatividade, um fenômeno de exuberância interpretativa, uma força da natureza - e uma força que algunschegaram a considerar incontrolável, tamanho os arroubos na execução, a quantidade de citações na abordagem de temas tão diferentes quanto um clássico de Villa-Lobos ou uma cantiga deseu Rio Grande do Sul natal.Todas essas características estão preservadas em Yamandú, lançamento da gravadora Eldorado, primeiro disco-solo do vencedor do 4º Prêmio Visa de Música Popular Brasileria. Preservadas, mas encaminhadas para um ponto de equilíbrio -entre a exuberância natural de um músico de 21 anos e a dosagem dessa exuberância para o ouvinte de disco - pelo produtor Maurício Carrilho, também violonista.Há uma diferença entre assistir, ao vivo, à performance de um artista - qualquer artista - e ouvi-lo em disco. Para a fruição ao vivo, concorrem o ambiente em que se encontra oespectador, a proximidade do artista, a atmosfera de intimidade que se dá; quando o músico não é visto, apenas ouvido, a fruição tem outras características, é mais atenta, mais exigente, mais crítica - uma falha de execução não pode ser compensada, por exemplo, pela simpatia do intérprete.No caso de Yamandú Costa, essa diferença é levada a ponto máximo. Ele não é apenas um músico extraordinário, mas ainda um performer fabuloso, que usa todo o corpo - as pernas que são jogadas de um lado para o outro, a cabeça que balançapara a frente e para trás, as viradas de corpo, o expressivo do rosto - quando toca. Eventualmente, sua performance violonística exagera no virtuosismo, o que é compensado pela presença decena.Essa não é uma crítica, mas uma constatação. Pois bem, transpor a música de Yamandú para o disco obrigaria a uma certa contenção na execução para compensar a ausência física. Yamandú, o disco, é 100% bem-sucedido na tarefa. Yamandú, o disco, é uma obra-prima, daquelas que não são ouvidas desde os grandes tempos de Baden Powell e Raphael Rabello.O repertório alterna músicas do próprio intérprete e clássicos brasileiros; alterna solos com número completados por formações camerísticas, arranjadas por Maurício Carrilho; háduos - com o bandolinista Armandinho, em Bahia x Grêmio, parceria do gaúcho com o baiano - e trios - com Maurício Carrilho e a cavaquinhista Luciana Rabello, em Meu Avô, deRaphael Rabello (Raphael foi reponsável por Yamandú aproximar-se do choro).O disco começa com um solo: o corta-jaca Brejeiro, de Ernesto Nazaré, arranjo do intérprete, número com que Yamandú arrebatou platéia e júri na final do 4º Prêmio Visa; na delicada modinha Mariana (de sabor egbertiano), também de Yamandú, seu violão de sete cordas ganha o apoio da flauta de ToninhoCarrasqueira, do violino de Ricardo Amado, do violoncelo de Hugo Pilger e da clarineta de Cristiano Alves. O mais duro coração ficará comovido com a beleza pungente da peça.O diretor da gravadora Eldorado, João Lara Mesquita, disse: "Ou eu fiquei maluco ou fizemos talvez o melhor CD da história do selo. Só tenho superlativos. Se eu tivesse de escolher hoje para a FM uma só faixa, não saberia o que fazer."Não só ele. É difícil distinguir a mais maravilhosa.O CD de Yamandú está sendo lançado oficialmente nesta terça-feira e até janeiro só poderá ser adquirido no site da gravadora (www.eldoradodiscos.com.br), por R$ 15. De acordo com a estratégia de lançamento, o disco só será comercializado nas lojas no ano que vem. ?Não acredito que isso possa enfraquecer o calor do lançamento. A minha preocupação é que o trabalho de Yamandú não tenha que competir com todo o lixo da indústria de discos neste fim de ano?, esclareceu João Lara Mesquita. ?Isso aqui é um ouro, uma pérola. É o melhor que a Eldorado já produziu e me alegra saber que é apenas um dos filhotinhos do prêmio Visa. Estou em estado de graça?.

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