JF Diorio/Estadão
JF Diorio/Estadão

Primeira noite do Festival Internacional da Sanfona tem Beatles e até 'Sweet Home Juazeiro'

Evento internacional realizado em Juazeiro, na Bahia, celebra o amor pelo instrumento

João Paulo Carvalho, O Estado de S.Paulo

15 Julho 2016 | 00h54

JUAZEIRO - Na cidade de Juazeiro, na Bahia, bem na divisa com Petrolina, em Pernambuco, uma coisa peculiar acontece todos os anos desde 2013: a região, às margens do Rio São Francisco, transforma-se na capital oficial da sanfona. Com aproximadamente 260 mil habitantes, a terra natal de João Gilberto, um dos criadores da bossa nova, ganha a chance de testemunhar fatos históricos e em 2016 não foi diferente. Na primeira noite do Festival Internacional da Sanfona rolou até uma versão sanfonada de Ob-La-Di, Ob-La-Da, dos Beatles.

O evento, que chega à sua quarta edição, trouxe neste ano a atração internacional Murl Sanders, dos Estados Unidos. Simpático e arriscando-se no português, o gringo roubou a cena no Centro Cultural João Gilberto.

"É um prazer estar aqui e tocar no mesmo palco de grandes lendas da sanfona. Juazeiro me acolheu muito bem", disse o norte-americano que mesclou os mais variados ritmos em sua performance peculiar com a sanfona nas mãos. Sweet Home Chicago, clássico do blues, virou Sweet Home Juazeiro. Uma brincadeira que acertou em cheio e agradou ao público regional. Ob-La-Di, Ob-La-Da, dos Beatles, ganhou uma versão inusitada na sanfona.

Sanders é um músico virtuoso, que sabe mostrar sua técnica no momento certo. Preciso, casa bem os acordes do seu instrumento de ofício com o groove do baixo e os riffs da guitarra, proporcionando à plateia uma sonoridade agradável.

Mais cedo quem abriu o festival foi o Quinteto Sinfônico da Bahia. Liderados por Targino Gondim, curador e diretor artístico do projeto, os cinco rapazes deram uma aula de entrosamento. Juntos, apresentaram uma verdadeira jam session sanfoneira, recheada de grandes sucessos. O momento mais marcante da apresentação foi a homenagem feita para João Gilberto. Chega de Saudade, canção emblemática da bossa nova, foi cantada em coro pelo público. Dominguinhos foi lembrado com Eu Só Quero um Xodó. "A sanfona no Brasil foi popularizada por Luiz Gonzaga. Sua força é tão grande que associamos apenas ao forró. O instrumento, na verdade, é universal. A sanfona pertence ao mundo", lembrou Targino.

Quem também se apresentou foi gaúcho Renato Borghetti. Ao lado do violeiro Daniel Sá, o músico deu um show de competência. Muito técnico soube com muita precisão prender a atenção do público. "Ouvi vocês cantando há poucos minutos. Eu e meu parceiro (Daniel) não cantamos, mas queremos ouvir a voz de vocês nessa próxima música. Esse cara compôs o hino do meu time, o Grêmio, de Porto Alegre, disse antes de tocar Felicidade, do mestre Lupicinio Rodrigues.

Sob a curadoria do cantor, sanfoneiro e compositor Targino Gondim e direção-geral de Celso de Carvalho, o evento celebra o instrumento em quatro dias de festa com oficinas, workshops, exposição, encontros e concertos musicais em shows abertos no Centro Cultural João Gilberto. O cantor cearense Fagner, que toca no sábado, 16, será a principal atração da mostra deste ano.

O festival também tem uma exposição de sanfonas, revelando ao público os diversos modelos do sofisticado instrumento. A mostra promove demonstrações de montagem, manutenção e afinação das sanfonas que, embora sejam robustas e pesadas, são bastante delicadas e exigem cuidados específicos.

* O REPÓRTER E O FOTÓGRAFO VIAJARAM A CONVITE DA ORGANIZAÇÃO

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