Prêmios póstumos permeiam entrega de especiais do Grammy

Grandes nomes da música, como Joan Baez, The Doors e The Grateful Dead, ganharam prêmios por suas carreiras, mas muitos dos homenageados já não estão vivos para recebê-los. A Academia Nacional de Artes e Ciência, que entregou os prêmios no sábado, vai continuar com as homenagens neste domingo, na entrega do Grammy, a maior homenagem da indústria da música nos Estados Unidos. "O bom de um prêmio por toda a carreira é estar aqui. Conseguimos e estamos vivos", disse Mickey Hart, do Grateful Dead, que ao lado do baterista Bill Kreutzmann recebeu o prêmio em nome do grupo psicodélico. "Gostaria que meus outros irmãos de banda pudessem estar aqui", disse Kreutzmann. Jerry Garcia, líder da banda e membro mais famoso, morreu em 1995. O grupo sofreu diversas outras mortes. Robby Krieger, guitarrista do Doors, foi o único membro da banda a aparecer no Teatro Wilshire Ebell, em Los Angeles, apesar da disponibilidade de parentes do cantor Jim Morrison. John Densmore, baterista da banda, agradeceu a academia em mensagem de vídeo gravada, em que recitou o poema American Prayer, de Morrison. "As mortes nos faz anjos e nos dá asas", disse Densmore ao recitar o poema. "As pessoas acham que ele (Morrison) era contra o sistema, mas na verdade ele queria ser maior do que os Beatles. Ele ficaria muito honrado", disse Krieger. A lenda da ópera Maria Callas também recebeu homenagem póstuma, e Ornette Coleman, que inovou o jazz, foi ovacionado ao discorrer durante algum tempo sobre o significado da vida e da morte. "Como matamos a morte, já que ela mata tudo?", disse Coleman. "Não é preciso morrer para matar e não é preciso matar para morrer." Booker T. Jones, do the MG´s, que sintetizou o estilo soul de Memphis com a gravadora Stax Records, também ganhou prêmio por conjunto da obra. "Agradeço a minha família por manter-me vivo todos estes anos. Foi algo difícil de fazer", disse Jones. Ele e outros membros fizeram referência a Al Jackson, morto a tiros em 1975. Estelle Axton, co-fundadora da Stax, também recebeu uma homenagem póstuma, o Trustees Award. A noite foi fechada com a cantora Joan Baez, ídolo do movimento antiguerra dos anos 1960, que afirmou estar ressurgindo por causa do presidente George W. Bush. "O presidente Bush é o melhor agente publicitário que já tive", disse Baez. "As pessoas sempre me pedem para comparar aquela época com o que acontece agora", disse. "Parece muito uma reedição, mas há muita coisa diferente. Os artistas estão percebendo como lidar, acho que estão aproveitando a ocasião."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.