Prêmio Visa estréia em grande estilo

Com casa lotada - os mais de 300lugares do Espaço Promon, no Itaim-Bibi, ocupados e gente dolado de fora, querendo entrar -, o 5.º Prêmio Visa de MPB -Edição Vocal estreou, na noite da quarta-feira, em grandeestilo. Quatro concorrentes extraordinários, acompanhados por umtime de músicos de excepcionais qualidades técnicas einterpretativas. Em suma: tudo o que a música popular produz debom e a indústria cultural ignora. Os candidatos foram os primeiros da série de 24 queparticipam da etapa eliminatória do prêmio. Haverá mais cincoprovas eliminatórias, sempre com quatro candidatos seapresentando, a cada noite. Doze deles serão selecionados para asegunda etapa, formada por três provas semifinais. Dos 12,somente 5 chegarão à final. Disputarão R$ 200 mil em prêmios,sendo R$ 100 mil para o primeiro colocado, que terá, também, odireito de gravar um disco pela Gravadora Eldorado. Esses 24 foram pré-selecionados entre os quase 1.900cantores, cantoras e grupos vocais que fizeram inscrição, gentevinda de todos os Estados. E a primeira concorrente daquarta-feira foi a paulista - de Ribeira - Anaí Rosa, que fezapresentação de estilos diversos, do maxixe Atraente (deChiquinha Gonzaga, com letra de Hermínio Bello de Carvalho) aosambão Linha de Passe, de João Bosco, Aldir Blanc e PauloEmílio. Seu grande momento foi com o Bolero de Satã, deGuinga e Aldir Blanc. Música complexa, que Elis lançou, e énormalmente mais gritada do que cantada. Anaí soube entender oque há de sutil na obra dos dois gênios. Carlos Uzê, do Rio, preferiu uniformizar num tomfrancamente bossanovístico o repertório que foi de Paulinho daViola (Para não Contrariar Você) a um Baden Powell (com letrade Vinícius) dos melhores, o alegre, como reza o título, PraQuê Chorar. Voz cristalina, a paulista de Avaré Lucila Novaespasseou de Linda Flor, ou Ai, Ioiô (Henrique Vogeler e LuísPeixoto, música já gravada por metade da melhor MPB e com umregistro histórico, em duo, de Maria Bethânia e João Gilberto, eoutro de Nana Caymmi) ao samba Brasil-Holanda, de Moacyr Luze Aldir Blanc (sempre ele). Voz grave, abaixo do registro de contralto, a mineiraAlda Rezende visitou Caymmi (A Lenda do Abaeté), ChicoBuarque (Joanna, Francesa), Edu Lobo e Chico (A Bela e aFera). Seu pianista, o cubano Nestor Hunt, encontrou um pontode contato de Roberto Carlos (no desenho introdutório deEmoções) e Tom e Vinícius (Eu Sei Que Vou te Amar).Música, música, música.

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