Prêmio Visa 2004 começa com casa cheia

Nem chuva, nem frio, nem trânsito caótico atrapalharam a noite da primeira eliminatória do 7.º Prêmio Visa de Música Brasileira - Edição Instrumental. O público compareceu em peso lotando o Espaço Promon, anteontem, para aplaudir o acordeonista catarinense Alessandro Kramer, o violinista Ricardo Herz, paulista radicado em Paris, o jazzístico Trio Curupira, de Sorocaba, e o violonista goiano Marcus Moraes. O pianista e regente Nelson Ayres, presidente do júri, fez a apresentação de praxe do prêmio, ressaltando que "qualquer concurso já é uma injustiça" e que o mais importante não é quem vence, mas a oportunidade de auto-avaliação de quem se inscreve. "Isso já é um passo à frente para cada um."Um pouco tenso, Alessandro Kramer abriu a noite com Bola de Meia, Bola de Gude (Milton Nascimento/Fernando Brant), acompanhado do violão de Guinha Ramirez. Mudou de formação instrumental a cada música apresentada e fez levantar a platéia com sua interpretação ágil e criativa de Faísca e Fumaça, um choro de difícil execução, e no fim, com o frevo Gringolino (ambos de sua autoria). O paulistano Ricardo Herz tinha a torcida a seu favor, já que é natural de São Paulo, e também variou nas inusitadas formações a cada música. Solou em Linha de Passe (João Bosco), ganhou a companhia de piano na tocante Beatriz (Chico Buarque/Edu Lobo) e botou fogo na platéia com o choro 1x0 (Pixinguinha/Benedito Lacerda), acompanhado de dois percussionistas.O Trio Curupira não fez por menos. André Marques, Cleber Almeida e Fábio Gouveia começaram em seus instrumentos originais - piano, bateria e baixo elétrico, respectivamente - e depois mudaram para escaleta, guitarra, violão, percussão. Além de brilhar individualmente, deram mostras de perfeito entrosamento, em especial na empolgante versão jazz-baião para Assum Preto (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira). Gonzaga e Teixeira voltaram a ter lugar no show pelo violão de Marcus Moraes, que abriu sua apresentação com Qui nem Jiló, depois de enfrentar com resignação alguns problemas no microfone. Tocando a maior parte do roteiro sozinho, Moraes fez boas exibições de técnica, mas deixou seu melhor momento para o final, executando uma composição própria (Avexado), acompanhado de bandolim e baixo elétrico. Com tantas evidências de talento, o prêmio já começou com disputa acirrada.Segunda rodada - Na segunda eliminatória, hoje, as cordas são predominantes. O primeiro a se apresentar é o pianista mineiro Irio Júnior, de Lavras. Ele já tocou em banda de baile e participou de concursos de música erudita. Hoje ele toca, sozinho, temas de Pixinguinha, Hermeto Pascoal e João Bosco. O violonista gaúcho Mauricio Marques também vai enfrentar o concurso em solos. No repertório, Jacob do Bandolim, Tom Jobim, Geraldo Flach e uma milonga dele próprio (Chamarreando). Em atividade desde 2001 em São Paulo, o Triálogo utiliza a formação clássica de piano, baixo e bateria para produzir uma mescla de baião, fusion, bossa nova, maracatu, valsa, samba-choro. Por fim, outro violonista. Alessandro Penezzi, de Piracicaba (SP), vai tocar acompanhado de um percussionista peças de Pixinguinha e Benedito Lacerda, Garoto e Jacob do Bandolim.

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