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Prêmio vira turnê e faz tributo a Maria Bethânia

Cantora e seus convidados fazem shows em quatro cidades brasileiras

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

07 Novembro 2015 | 16h00

Maria Bethânia anda feliz com as homenagens que vem recebendo por seus 50 anos de carreira. Com a turnê comemorativa Abraçar e Agradecer, na estrada até final do ano, a cantora será ainda tema de enredo da Mangueira, sua escola do coração, no carnaval do ano que vem. Em junho deste ano, ela também recebeu tributo no 26.º Prêmio da Música Brasileira, realizado no Theatro Municipal, no Rio.

E, a exemplo do que ocorreu nos últimos anos, o prêmio ganha a estrada, desta vez, numa turnê de quatro shows, que reunirá Bethânia e os convidados Lenine, Zélia Duncan, Arlindo Cruz, João Bosco, Chico César, além da atriz Camila Pitanga. A apresentação terá início hoje, às 20h, no Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre (ingressos entre R$ 120 e R$ 250), e segue no dia 15 para Belo Horizonte; dia 26 para Brasília; e dia 4 de dezembro, para o Recife.

A turnê, patrocinada pelo Banco do Brasil, trará no repertório canções marcantes da carreira de Bethânia. A Lenine, por exemplo, cabe interpretar Último Pau-de-arara + Pau-de-arara (medley), Lamento Sertanejo, Na Primeira Manhã e Nem o Sol, Nem a Lua, Nem Eu – esta última, Lenine compôs especialmente para Bethânia. “Interpreto uma parte do repertório dela, que talvez seja o mais nordestino. Eu, como a maior parte da MPB, tem nela a intérprete maior de nosso País”, diz Lenine.

A escolha do repertório e dos artistas, aliás, é atribuição de José Maurício Machline, que assina roteiro e direção da turnê. Ele levou em conta as afinidades – e a aproximação – dos convidados com Bethânia. Pegou a discografia dela e pensou no que cada um poderia cantar. Entraram na seleção Reconvexo, Sonho Meu, Memória da Pele, Negue, Rosa dos Ventos, entre outras canções. Exercitando seu lado cantora, Camila Pitanga vem com Âmbar, Lama e Gema, além de ler texto do diretor Fauzi Arap – que compreendeu que Bethânia não era uma cantora, mas uma intérprete. “Quando eu estava montando a turnê, Camila me mandou uma música da Maysa cantada por ela. Ela tem um timbre mais grave”, conta José Maurício, que decidiu então incluir a atriz no projeto.

O repertório destinado à homenageada também foi escolhido por ele. Bethânia canta Carcará, O Quereres, Fera Ferida e Explode Coração, músicas emblemáticas de sua carreira. No final, ela se encontra com todos no palco em Vento de Lá, de Roque Ferreira, faixa de seu mais recente disco, Meus Quintais. Carcará é das mais marcantes, pelo texto, pela interpretação sempre visceral de Bethânia e por remeter ao início da trajetória profissional da cantora, no show Opinião, dirigido por Augusto Boal, na década de 60. Bethânia arrebatou o público com essa canção de João do Vale e José Cândido. A ponto de só pedirem para ela cantar essa música – e Bethânia pedir para dar um tempo. “Foi um sucesso tão alucinante no país todo. Eu não podia cantar mais nada. No contrato, já vinha: canta Carcará. Para cantar uma música, não quero, não. Isso é prisão. Fui para a Bahia e fiquei lá um tempo”, lembra Bethânia, em entrevista ao Estado.

Isso até o produtor Guilherme Araújo a chamar de volta para se apresentar no Rio. “Vou com uma única condição: não canto Carcará”, conta ela. “Ele falou: não, pelo contrário, o que você tem vontade de fazer? E eu: só quero cantar música de amor, brega, música de Caetano do exílio, de Gil do exílio, de Chico do exílio. Foi um show lindo. Quando ninguém mais lembrava, nem me aprisionava mais, Carcará voltou para viver comigo para sempre.”

Quando soube que os 50 anos de sua carreira seria tema no Prêmio da Música Brasileira deste ano, Bethânia ficou meio sem jeito. Tentou convencer José Maurício do contrário, mas não houve jeito. “Para mim, não é tão fácil, comum ser homenageada.” Com a turnê, a situação é mais confortável. “É mais solto, não é no Theatro Municipal, são auditórios, não tem aquela apresentação toda.”

Sobre o outro tributo, o da Mangueira, Bethânia parece sentir o mesmo frio na barriga. É algo grandioso, da sua escola. Tentou também convencê-los do contrário, mas, mais uma vez, não houve jeito. “É um enredo que homenageia os meus 50 anos de carreira, mas é uma homenagem também a uma história toda de África com Bahia, as grandes personalidades baianas”, detalha. “Não é um enredo que fica assim: Fera Ferida, Carcará, abelha-rainha (apelido dado a ela). Foi a única coisa que pedi: carro de abelha-rainha não (risos). Mas eles escondem tudo de mim, é tudo surpresa.” O desfile na Sapucaí vai encerrar as comemorações dos 50 anos. Depois, Bethânia vai tirar dois meses para “descansar, esvaziar, passear e estudar”. Mas já tem na mira, para 2016, um possível trabalho com o pianista André Mehmari. “É tudo quietinho, é bem ao contrário de festa, de comemoração.”

 

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