Paulo Pinto/AE
Paulo Pinto/AE

Prêmio Musique provoca debate acalorado entre os participantes

Os mais críticos apontavam falhas no regulamento e falta de transparência no processo de escolha

Eric Akita, do estadão.com.br, e Guilherme Werneck

11 de maio de 2010 | 10h11

SÃO PAULO - A divulgação do resultado do Prêmio Musique, promovido pelo jornal O Estado de S. Paulo, no último sábado, 8, provocou reações distintas de participantes e internautas. Os mais críticos apontavam falhas no regulamento, falta de transparência no processo de escolha e erro nos critérios de julgamento que levaram à do vencedor Oleives. 

 

Veja também:

linkCom vocês, Oleives, o vencedor do Prêmio Musique

video Veja Oleives tocando 'Planta Colhe' na TV Estadão

especial Tudo sobre a 1ª edição do Prêmio Musique

 

Para além do Estadão.com.br, um dos participantes criou um canal no Youtube  onde outros músicos puderam postar as canções que inscreveram no prêmio. "A ideia de abrir o canal surgiu por conta da insatisfação explicitada nos comentários dos participantes. Eu fiquei curioso para conhecer o trabalho dos outros músicos. E também foi uma forma de não se perder todo o trabalho feito por eles", explicou o candidato Thiago Primitivo de Oliveira por e-mail.

 

 “Achei um efeito colateral interessante e inesperado, achei bacana. Vi no próprio domingo, mas tinha apenas uma música. Acho bom que agora tenha mais de 20”, disse Arnaldo Antunes, responsável por escolher o vencedor. Até o fechamento desta reportagem, 31 artistas tinham postado suas músicas no YouTube.

 

O julgamento

 

Como o prêmio previa em seu regulamento, apenas a música vencedora foi divulgada. Para chegar à vitória, a canção composta por Oleives passou por um júri especializado, presidido pelo pianista Amilton Godoy, do Zimbo Trio, que avaliou outras 516 canções inscritas. As cinco preferidas dos jurados foram apresentadas a Arnaldo Antunes, que deu a palavra final. “Queria ressaltar também que a música foi escolhida, sim, por conta da melodia, pela forma com que as letra se encaixava com a música, as divisões silábicas, embora isso não tenha ficado tão claro na reportagem do jornal”, disse o músico na tarde de segunda-feira, 11.

 

A forma de divulgação do vencedor do Prêmio Musique também foi alvo de críticas dos internautas. "Foi muito desagradável ver o vencedor anunciado no dia 8 com foto e entrevista. Dá um tom injusto porque o vencedor tem o direito de saber antes de todos que concorreram em pé de igualdade", comentou Bernardo D, participante do concurso, por telefone à reportagem do Estadão.com.br.

 

Júlio Maria, editor do Caderno 2 + Música e coordenador do concurso, explica que o objetivo do jornal era oferecer um "pacote completo" ao leitor ao apresentar o ganhador do prêmio. "A definição do vencedor ocorreu cinco dias antes da divulgação. Se não fosse assim, seria impossível trazê-lo a São Paulo, entrevistá-lo e regravar a música para a disponibilizarmos com uma qualidade técnica adequada", disse o jornalista. "Quando nossos jurados e o próprio Arnaldo avaliaram as canções, os candidatos eram apenas identificados por um número, sem informar o nome e de onde ele é para assegurarmos que não haveria contaminação na escolha", explicou Maria.

 

Finalistas

 

A opção de não publicar o nome dos outros quatro candidatos finalistas também desagradou parte dos participantes. "Por uma questão de consideração a quem, como eu, submeteu uma música, o site poderia divulgar pelo menos o número de inscrição dos demais finalistas. Mantendo o anonimato dos mesmos, não seria necessário pistas sobre dados pessoais", afirmou o concorrente V Saviano.

 

O contraste de opiniões era visível também no que dizia respeito a avaliação técnica da música premiada. "É duro de constatar que dentre 517 canções, incluindo uma minha, a escolhida é aquela cuja melodia é quase toda baseada em Mi Ré bemol Si Lá", comentou Bernard D. Já para o internauta Maurício Cavalcanti, "Arnaldo Antunes encontrou algo singular, brasileiro e tão bem adaptado ao seu jeito de compor, um critério pura e genuinamente dele." A mesma opinião foi expressada pelo pianista Amilton Godoy, que presidiu o júri especializado do concurso. "Se o Arnaldo (Antunes) preferiu uma melodia simples, foi uma opção dele. Como ele mesmo explicou, a escolha se deu pela identificação de seu trabalho na canção vencedora", afirma o músico.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.