Precursora RCA Victor comemora 100 anos

Responda rápido: o que Elvis Presley, Arthur Rubinstein, Cesária Évora, Christina Aguilera, Duke Ellington, Foo Fighters e Sam Cooke têm em comum? Resposta: estão todos no catálogo da companhia discográfia RCA, que está celebrando seus 100 anos neste 2001. Em 1901, em Camden, New Jersey, foi criada a Victor Talking Machine Company numa associação entre o inventor do gramofone, Emile Berliner, e um dos inventores que desenvolveram a máquina, Eldridge R. Johnson. O cachorrinho no gramofone, símbolo dos mais conhecidos no século passado, foi uma sacada de Berliner. Em visita a Londres, ele viu uma pintura de Francis Barraud chamada His Master´s Voice, que mostrava um fox terrier (o cachorro de Barraud, batizado de Nipper) ouvindo um fonógrafo. Berliner comprou a pintura e seus direitos por cem libras esterlinas, e pediu licença para usá-la como logomarca de sua companhia nos Estados Unidos. Em 1904, a Victor Co. já conquistava seu primeiro milhão de discos vendidos com a ária Vesti la Giubba, da ópera Pagliacci, gravação feita por Enrico Caruso em 1904. Caruso tinha apenas 29 anos na época e assinara um contrato de 100 libras para fazer 10 discos. Tornava-se assim o primeiro astro globalizado da era da reprodução elétrica de sons. Desde então, a história da RCA Victor confunde-se com a história da música americana no século 20. Eldridge Johnson vendeu sua companhia para um banco em 1926. Em 1929, os banqueiros revenderam a Victor para a Radio Corporation of America, de onde veio o batismo mais conhecido de RCA Victor, em 1930. A Depressão trouxe a crise financeira e os discos podiam ser comprados a 30 ou 50 centavos nos Estados Unidos. A empresa passou a fabricar rádios para sobreviver. Naquela época, o catálogo da RCA tinha artistas como Benny Goodman, Glenn Miller, Tommny Dorsey e Fats Waller. Ao final da Segunda Guerra, acabou-se o fôlego das big bands e começou a era dos grandes crooners. O maior deles, claro, foi Frank Sinatra, mas ele tinha contrato com a Columbia Records. A RCA disseminou o estilo "Nashville sound" nos anos 40 e foi responsável pelos primeiros grandes astros daquela década, como o cantor Perry Como, morto essa semana aos 88 anos. Os anos 40 também foram pródigos em grandes negócios artísticos. O maior de todos, para a RCA, foi a compra do "passe" de Elvis Presley por US$ 40 mil, numa disputa com a Mercury Records. Elvis era uma cria de Sam Philips e estava na Sun Records. Elvis Presley, em 1956, ficou 11 meses no topo da parada da Billboard. Foi o primeiro artista a suceder ele mesmo no topo das paradas, quando Love me Tender sucedeu Don´t be Cruel nos charts. Nos anos 60, a RCA teve John Denver e Peter, Paul & Mary. Nos anos 70, Daryl Hall & John Oates. Nos anos 80, Eurythmics e David Bowie. Nos anos 90, Foo Fighters e Dave Matthews. Em 1986, a RCA Records foi comprada (pertencia então à General Electric) pelo gigante alemão Bertelsmann Music Group, a BMG, negócio que envolveu ainda os selos Arista e Ariola. Boa parte da história da música americana foi parar em Berlim, seguindo a lógica do capital globalizado dos dias atuais. "Se você olha para trás, vê Elvis Presley, o rei do rock´n´roll, e hoje você tem um dos maiores vendedores de discos que é a Dave Matthews Band", disse o presidente da BMG, Rolf Schmidt-Holtz, em entrevista à Billboard, explicando que a companhia se mantém atenta ao legado da RCA Victor."Tradição significa poder", ele diz. O fato é que o cast hoje tem preocupações mais comerciais. A BMG tem em seu catálogo boa parte dos ídolos adolescentes de plantão, como Christina Aguilera, Westlife, Five, ´N Sync, e o neorumbeiro alemão Lou Bega.

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