Pop star iraquiano lança turnê nos EUA

Kazem al-Sahir, o maior pop star da música iraquiana e um dos mais queridos de todo mundo islâmico, lançou-se em turnê pelos Estados Unidos. A despeito do timing inusitado de sua agenda, uma vez que visita um país que ameaça invadir sua terra natal, a turnê tem se mostrado oportuna, e os shows estão chamando a atenção do público americano.Em entrevista ao New York Times, publicada hoje, o cantor romântico conta que foi desaconselhado pelas amigos a lançar a turnê. Tempos difíceis, diz. Mas acabou aceitando fazê-la como forma de mostrar "uma outra face do país". Conseguir o visto foi outro desafio. Ajudou o fato de que Al-Sahir tem passaporte canadense, desde que lá vivem seus filhos e sua ex-mulher.Al-Sahir nasceu no norte do país e já mostrava inclinação para a música aos 10 anos, quando vendeu sua bicicleta para comprar um violão. Passou muito tempo apenas como compositor de música romântica até chegar à televisão, em 1987, com Ladghat el Hayya ("Picada de Cobra"), em que retratava a tensão em Bagdá, ao final da guerra Irã-Iraque. Por conta da música, foi banido. Deixou o país nos anos 90, mas frisa que continua considerando o Iraque seu lar.Tendo vendito cerca de 31 milhões de discos, segundo o NYT, Al-Sahir conta que compôs suas melhores músicas no início dos anos 90, durante a Guerra do Golfo e o conseqüente embargo comercial ao país, empreendidos por George Bush pai. Tomou então o cuidado de esconder suas composições e detalhar instruções para que, caso fosse atingido pelos bombardeios, ao menos as músicas pudessem ser salvas.Muitas das composições do iraquiano carregam, claro, mensagens de paz. É o caso de The War is Over, gravada em dueto com a soprano Sarah Brightman. Até agora, porém, não houve repertório pacifista que convencesse George Bush filho, que tenta a todo custo ampliar o endosso para fazer a guerra ao Iraque. De qualquer fora, Al-Sahir manda sua mensagem ao presidente: "Pense nas crianças e na gente inocente. Não deixe eles sofrerem."

Agencia Estado,

26 de fevereiro de 2003 | 11h46

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