"Pop é arte", diz Nina, dos Cardigans

Eles vieram da fria Jönköping, Suécia, em 1992, e desde então têm espalhado pelo mundo algumas das mais calorosas e prazerosas canções pop, da hiper-tocada Lovefool, de 1997 (incluída na trilha do filme Romeu & Julieta), à novíssima I Need Some Fine Wine and You, You Need be Nicer (Eu Preciso de Algum Vinho Bom, e você, você Precisa ser mais Legal). Aguardado pelos fãs durante quase 15 anos, eles agora estão de malas prontas, não tem mais enrolação. O grupo The Cardigans toca no evento Campari Rock Tour, no dia 6, no Via Funchal, ao lado dos ingleses do Gang of Four. ?Sim, pessoal: como um milhão de pessoas têm perguntado na seção Pergunte à Banda do nosso site, nós estamos indo para o Brasil?, diz uma nota no site do grupo.Lovefool, o maior hit da banda, levou o grupo a vender mais de 3 milhões de discos em todo o mundo, emplacando sucessivos sucessos, como Your New Cuckoo e My Favorite Game. No final do ano passado, lançaram o álbum Super Extra Gravity (Universal Music), base do novo show. The Cardigans é formado por Lars-Olof Johansson, Bengt Lagerberg, Magnus Sveningsson, Peter Svensson e a bela loira Nina Persson, voz e lírica da banda. Na manhã de terça-feira, a cantora do Cardigans, Nina em pessoa, ligou para o Estado para falar sobre o show. ?Estamos alegres em ir para a América do Sul pela primeira vez, mas de certa forma tristes, porque não poderemos ir também à Argentina e ao Chile. Esperamos um dia poder voltar para uma turnê maior?, disse Nina.Você fica chateada quando lhe pedem para tocar pela enésima vez a canção Lovefool?Não pedem mais, pouca gente lembra. Costumam pedir as mais novas. Mas nós tocamos Lovefool, especialmente quando vamos pela primeira vez a algum lugar. A música é parte de uma história de evolução, não tem por que negá-la. É parte de nossa história. E vamos tocá-la no Brasil de novo, em todos os shows. Esperem.Muitas vezes já disseram que vocês viriam ao Brasil e nunca vinham. Por que demoraram tanto?Não é uma decisão nossa os lugares das turnês. São muitos shows por ano, e o roteiro é escolhido por diferentes razões: não cansar demais a banda, as estações do ano e até questões relacionadas aos filhos. Eu não tenho filhos, mas os outros caras do grupo têm. Eles não podem ficar muito tempo longe.Você estrelou um filme, estreando como atriz. Do que se trata?É verdade, o nome do filme é God Willing. É sobre uma cantora de tango que encontra um cara em Estocolmo e se apaixona por ele, uma história de amor. Foi divertido e assustador atuar pela primeira vez. Não é um papel difícil, e minha maior contribuição é ficar andando para lá e para cá em cena. É um filme silencioso. Mas é apenas uma pequena participação.Você canta uma música do White Stripes na trilha sonora, não é?Sim, canto todas as canções da trilha e essa deles, Dead Leaves and the Dirty Ground. Gosto deles - não só de Jack White, mas também da garota. Não acho que inventaram nada novo, mas acho que têm personalidade. Sua inovação é tocar sem um baixista, e o som é muito bom.Quando você começou a tocar numa banda, cursava a faculdade de artes. Isso tem sido comum no pop rock: o Pink Floyd veio de uma escola de arquitetura, assim como o pessoal do Franz Ferdinand e do Belle & Sebastian. Você acha que é possível fazer do pop uma forma de arte?Sim, eu acho. Na verdade, eu nunca parei de pensar como uma artista, e o pop, assim como o rock, têm a mesma preocupação na base, que é comunicar uma idéia, e escolher a forma de fazer isso. É a base de toda a arte, embora isso não seja garantia de que seja boa arte, assim como o pop não é sempre um bom pop.O disco Franz Ferdinand, da banda escocesa, foi produzido por Torge Johansson, que também produziu seu disco Super Extra Gravity. Você vê alguma semelhança entre o som deles e o de vocês?Acho que o Franz Ferdinand é uma grande banda. Mas não há semelhança. Torgen produziu quase todos os nossos discos.Vi o vídeo de I Need Some Fine Wine. Tem um cão e um gato que ficam brigando em cena enquanto você canta e, no final, você dá uma ordem: Senta! É assim que você trata também os homens?O cão e o gato não são meus, são como aqueles modelos contratados. E a ordem é só parte do roteiro, não trato os homens assim. Não sou uma dominatrix.

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