Pop britânico busca renovação na música brasileira

Na semana passada a cantora brasileira Liliana Chachian veio ao Brasil para visitar seus pais. Trouxe a filha para conhecer a terra em que nasceu e que deixou há 18 anos para morar na Inglaterra. Em Londres, já habituada com o ritmo de vida dos britânicos, conheceu, no início dos anos 90, os músicos Patrick Forge e Christian Frank. Com eles formou o Da Lata, banda que ganhou atenção da mídia e dos principais clubes britânicos. Seu álbum de estréia, Songs From The Tin (Trama), só chegou ao Brasil em novembro (ouça a faixa Pra Manhã).A história de Liliana não é única. Como ela, Gabriela Geluda e Mauro Berman, também músicos, deixaram o Brasil em busca de novas oportunidades de trabalho no velho mundo. O casal também esteve no País na semana passada. Com sua nova banda, o Auwê, tocaram no festival alternativo Humaitá Pra Peixe, no Rio de Janeiro. Tal qual o Da Lata, a banda de Gabriela e Berman também conta com músicos ingleses em sua formação. No entanto, ao mesmo tempo em que a banda de Liliana faz o circuito de festivais europeus e toca nos Estados Unidos, Japão e Canadá, o Awuê finaliza a gravação de seu álbum de estréia e corre atrás de uma gravadora que queira lançá-lo.Da boa - A história do Da Lata remonta ao final dos anos 80. Foi nessa época que o navio Solano Star "dispensou" na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, latas de maconha. O episódio originou a expressão "da lata" como sinônimo de coisa boa. Foi esse o nome escolhido por Liliana, Christian Frank, Oli Savill e Patrick Forge para batizar a banda que formaram em 1995. O cartão de visitas impressiona. Pra Manhã, primeiro single de Songs From The Tin, vendeu mais de 10 mil cópias em LP.Primeiramente um projeto de estúdio, o Da Lata ganhou as pistas pela primeira vez com uma versão pouco óbvia de Ponteio, de Edu Lobo e Capinam. Entre a versão e o lançamento de Songs From The Tin - Sons que vêm da Lata - Forge e Franck montaram o projeto Smoke City, com a vocalista brasileira Nina Miranda. Foi neste produtivo meio, logo após o lançamento de Fliyng Away, único álbum do Smoke, que o Da Lata se fortaleceu e resolveu se afirmar como banda, cantando em português.No caldeirão de Songs From the Tin são múltiplas as influências detectáveis. Binti, a canção de abertura, mistura percussão afro-brasileira com ambient music. A faixa, instrumental, ganha contornos especiais com os vocalizes hindus de Liliana. Cores, na seqüência, é um samba de roda subvertido por elementos eletrônicos e arranjo de cordas grandiloqüente. Rain Song e O Mago e a Borboleta têm muito de Milton Nascimento, da fase Tambores de Minas. Prá Manhã e Indo são sambas saborosos. Notável ainda o bom gosto dos arranjos de cordas, escritos pelo maestro S Hussey e interpretados pela Urban Soul Orchestra. Assim, agradável, é o trabalho do Da Lata.Alegria - Auwê, nome extraído do dialeto ianomâmi, significa alegria. Foi essa a palavra que Gabriela Geluda (vocais), Luiz de Almeida (guitarras) e Mauro Berman (baixo), brasileiros, e o inglês Mark Hinton Stewart (teclados), escolheram para batizar a banda que formaram há 18 meses. Eles, que estiveram no Rio de Janeiro, pretendem lançar neste ano seu álbum de estréia. Nove músicas já foram gravadas. O produtor do trabalho é Will Mowat, cujo currículo inclui produção de discos de Fernanda Abreu, Ed Motta e Daúde."Na Inglaterra dizem que misturamos rock progressivo, jazz, música indiana e baião", explica Berman. Além dessas referências, é possível perceber no visual, no som, e na temática das letras do Auwê influência dos anos 70, da estética hippie. De clube da esquina, Renaissance, Yes e Sá & Guarabira. "Não gosto de rótulos", diz o músico. "Nossa música é alegria." Para ele, menos do que para dançar, as canções do Auwê são para ouvir e curtir. "Há muito tempo que sinto falta de bandas que fazem música para você poder ouvir deitado na rede, com a luz do quarto apagada, é essa lacuna que pretendemos preencher."

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