Evelson Freitas/AE
Evelson Freitas/AE

Política e publicidade marcam abertura do Rock in Rio

“A gente não quer só democracia, a gente quer também o fim da corrupção nesse País”, discursou o cantor Paulo Miklos, dos Titãs, para as cerca de 45 mil pessoas (estimativa dos organizadores até as 19h) presentes na abertura do Rock in Rio 2011, na Barra da Tijuca, no início da noite de ontem. Discursos de tom político e sociais se misturaram a fogos de artifício e banners e bancos infláveis de publicidade de marcas comerciais, distribuídos entre o público.

Dos enviados especiais, O Estado de S. Paulo

23 de setembro de 2011 | 21h14

Sandra de Sá mostrou-se indignada com as pessoas que não sabem que “todo brasileiro é sarará crioulo”. E protagonizou dueto desigual com Bebel Gilberto, além de pedir "paudurescência" à sua plateia. As cantoras trocaram um selinho no palco. A noite abriu com os veteranos do rock brasileiro, Titãs e Paralamas, que dividiram o palco principal com Orquestra Sinfônica Brasileira e Milton Nascimento (Milton emocionou com o sucesso do grupo britânico Queen, Love of my Life).

Titãs e Paralamas seguraram a onda com sucessos de cerca de 30 anos de carreira: Alagados, Polícia, Sonífera Ilha, Epitáfio, Óculos, Meu Erro. “Eu queria pedir uma salva de palmas dos técnicos desse palco, que estão conseguindo um som tão bom em País de terceiro mundo como o nosso”.

Enquanto isso, num palco menor, o Sunset, duas bandas independentes europeias tentavam fazer frente aos hoje gigantes da música brasileira: a portuguesa The Gift (que emocionou seu modesto público tocando no final a canção Índios, do Legião Urbana) e os modernos dinamarqueses do Asteroids Galaxy Tour – liderados pela robótica loira Mette, que lembrava a replicante vivida por Daryl Hannah no filme Blade Runner. Os músicos do Móveis Coloniais de Acaju, banda brasileira, compareceram em peso para ver os dinamarqueses.

Chegada

O organizador do Rock in Rio, Roberto Medina, considerou natural o aumento no preço das hospedagens que foi registrado no Rio de Janeiro durante os dias do festival. “É uma questão de mercado. Quando tem demanda muito grande, o preço sobe”, afirmou Medina, às 14h04, no exato instante em que se abriam os portões para a jornada de 7 dias de música, na Cidade do Rock, na Barra.

O Rock in Rio está sendo usado como uma espécie de laboratório para os megaeventos esportivos que o Rio terá num futuro próximo (a Copa do Mundo de futebol de 2014 e as Olímpiadas de 2016). Esquemas de trânsito, transporte, segurança e hospedagem estão entre os quesitos sob observação.

Muitos comerciantes cariocas fecharam suas lojas mais cedo nessa sexta para facilitar a ida de fãs ao festival. A previsão de trânsito mais complicado também pesou na decisão, e o fluxo de veículos na cidade ficou mais tranquilo no começo da tarde.

Com expectativa de público de 700 mil pessoas, o Rock in Rio volta à cidade após 10 anos. Nesse período, instalou-se na Europa – só em Lisboa, Portugal, já foram realizadas quatro edições. “O espaço em si é diferente, porque aqui é tudo plano, e lá em Lisboa é um vale, todo mundo ouve a música”, disse o jornalista português Ivo Rainho Pereira, da revista Lux, que assiste pela primeira vez a um Rock in Rio no lugar onde nasceu.

Segundo Pereira, a escalação do Rock in Rio “in natura” segue a mesma linha do seu irmão português. “Tudo igual. Tem de tudo. As bandas são boas”, avaliou.

Até o momento, a organização do Rock in Rio é impecável – certamente a melhor de um festival do tipo no Brasil. Os banheiros funcionam a contento, os serviços são de primeira, a segurança é bem treinada e, apesar da distância a ser percorrida a pé, o acesso é rápido. A cerveja é vendida no meio do público e está dando conta do recado. O problema foram as filas no início do festival, com os fãs torrando no sol enquanto esperavam a abertura do evento, que começou com o ritual de sempre, ao som da música-tema e com correria desenfreada. Há também um excesso de slogans publicitários, mas convenientemente instalados à margem do agito.

O festival adotou dessa vez um sistema de esguicho de água para refrescar os fãs, que utiliza habitualmente em sua edição espanhola, em Madri. Muita gente encharcada caminha pelo gramado sintético. O Escritório Central de Arrecadação e Distribuição de Direitos Autorais (Ecad), que é objeto de uma CPI no Senado por acusações de irregularidades, instalou um estande no festival como uma tentativa de mostrar mais transparência no sistema, e angariar simpatia pública.

Tudo o que sabemos sobre:
Rock in RioRock in Rio 2011

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.