Polícia investiga assassinato de Chediak

O produtor musical Almir Chediak, de 52 anos, foi assassinado na noite de domingo com quatro tiros no rosto em Petrópolis, na região serrana do Estado. Ele estava acompanhado da cantora Sanny da Costa Alves, de 34 anos, com quem namorava havia nove meses, quando, segundo a polícia, foi rendido por dois criminosos encapuzados, ao chegar em sua casa, na Estrada das Perobas, no bairro de Araras.Os dois tiveram os braços imobilizados pelos dois homens, com fios de nylon, e foram obrigados a percorrer trechos da estrada BR-040 (Rio-Juiz de Fora) e de vias secundárias de Petrópolis no carro do produtor musical, um Jeep Cherokee, que era dirigido por um dos criminosos. O outro pilotava uma motocicleta. Na Estrada do Rocio, no bairro Fazenda Inglesa, Chediak foi obrigado a descer do carro. O homem que estava na motocicleta o executou e fugiu. Levada pelo outro criminoso no Cherokee, Sanny foi liberada pouco depois, no início da madrugada de ontem, no km 76 da BR-040, ainda segundo a polícia. Pela manhã, por volta das 7h, o corpo de Chediak foi encontrado na beira da estrada do Rocio, com as mãos amarradas para trás. O carro do produtor foi localizado pouco depois, no bairro Alto Independência, na periferia de Petrópolis, onde fora abandonado e incendiado pelos criminosos. O corpo do produtor estava a uma distância de cerca de sete quilômetros de sua casa. A cantora foi liberada a vinte quilômetros e o carro, a cerca de 40 quilômetros. "Estamos investigando um crime de roubo em que uma das vítimas foi executada. Eu acho que foi um assalto e ele possivelmente reconheceu um dos assaltantes, mas ainda é muito cedo, a avaliação que temos do crime ainda é extremamente precária", disse o delegado Clay Catão, titular da 106.ª DP, que preside o inquérito. Segundo ele, os criminosos roubaram alguns bens que estavam na casa de Chediak, como uma televisão e um aparelho de DVD. Em uma trilha próxima do matagal onde o carro do produtor foi abandonado, a polícia encontrou um aparelho de DVD, três celulares, dois aparelhos decodificadores, quatro garrafas de cachaça e vodka, uma bolsa térmica e um saca rolhas que seriam de Chediak.Sanny contou ao delegado que ela e o produtor haviam saído para comprar um lanche, e veriam um filme no aparelho de DVD quando foram abordados, por volta das 20 horas de domingo. Ao chegar em casa, foram rendidos e obrigados a deitar no chão pelos criminosos, que já haviam arrombado a porta da casa. O teatrólogo Jesus Chediak, afirmou não ter dúvidas de que seu irmão foi executado, mas afirmou desconhecer a suposta motivação do crime. "Meu irmão era uma pessoa do bem, não tinha inimigos. Pelo visto foi uma execução. Não consigo pensar direito o que pode ter havido", disse ele. "Acho que não tem mais lugar seguro. A sociedade precisar se unir, porque a cultura da violência está prevalecendo." Ele contou que o irmão costumava viajar todo fim de semana - além de Araras, ele tinha casas em Búzios e Lumiar.Ana Paula Pereira Passos da Silva, de 24 anos, contou que ouviu um grito e um barulho semelhante ao disparo de uma arma de fogo no fim da noite de domingo quando estava em casa, vendo televisão, próximo do local onde o corpo foi encontrado. "Como tinha uma festa, fiquei na dúvida, mas às 7 horas da manhã fui acordada por uns rapazes que iam para o trabalho e viram o corpo na estrada", disse ela. "Já temos suspeitos, que estão sendo checados. O projetil foi coletado no local do crime e será analisado. Mas a prova testemunhal é fundamental", disse o delegado. No início da noite, uma equipe de policiais saiu para verificar denúncias sobre suspeitos. O delegado aguardava ontem a chegada de uma equipe da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil para colaborar na investigação. No início da noite, o secretário de Segurança do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PSB), disse em Brasília, que a polícia trabalha com grande possibilidade de o assassinato de Chediak ter sido crime de vingança. Clique aqui para ler a entrevista com GarotinhoO corpo de Almir Chediak será velado amanhã, a partir das 9 horas, na capela E do Cemitério São Francisco Xavier, no Caju. O enterro está marcado para as 14 horas.

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