Polícia diz que MV Bill não fez apologia ao tráfico

A polícia concluiu que o cantor de rap MV Bill, indiciado por apologia ao crime por causa do clipe de sua música Soldado do Morro, em que ele aparece ao lado de traficantes de drogas e crianças empunhando revólveres de madeira, é inocente. De acordo com o delegado Paulo Guimarães, da Divisão de Repressão a Entorpecentes (DRE), o objetivo do cantor é denunciar a realidade das crianças que moram em favelas freqüentemente aliciadas por bandidos para participar do tráfico. O inquérito será encaminhado ao Ministério Público até o fim desta semana.MV Bill, cujo nome é Alex Pereira Barbosa, depôs hoje, na DRE e não quis falar com a imprensa. De acordo com o delegado ele disse que quer "contribuiur para a construção de um país verdadeiramente justo e uma sociedade mais igualitária". "Concluí que MV Bill não participa do comércio de drogas, ao qual ele se opõe por completo. Ele não oferece qualquer risco à sociedade", disse Paulo Guimarães. A apologia ao crime não dá cadeia, informou o delegado. Caso seja condenado, o cantor poderá apenas ter de cumprir penas alternativas, como participar de trabalhos comunitários.O clipe de Soldado do Morro foi lançado no Natal do ano passado, mas o inquérito foi instaurado um mês antes. A história se passa numa favela na Cidade de Deus, na zona oeste do Rio, um dos locais mais violentos da cidade e onde mora o rapper. Participam do vídeo, ao lado de MV Bill, traficantes locais e crianças que trabalham para o tráfico.Segundo o cantor, os próprios bandidos apóiam sua iniciativa de tentar afastar os menores do crime e, por isso, autorizaram as filmagens no local.O delegado explicou que o fato de MV Bill dar palestras sobre a questão do tráfico depois da exibição do clipe mostra que ele está interessado em solucionar o problema e não em fazer apologia ao crime.O primeiro CD de MV Bill foi lançado em setembro de 1999 na Cidade de Deus. Na mesma época, o cantor causou polêmica ao se apresentar no Free Jazz com uma pistola modelo PT 40, muito usada pelos bandidos - mas que, segundo disse Bill, não oferecia risco ao público por estar travada.

Agencia Estado,

20 de fevereiro de 2001 | 20h20

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