RAFAEL ARBEX/ESTADÃO
RAFAEL ARBEX/ESTADÃO

Plant, com som mestiço, é destaque musical do Lollapalooza

Vocalista põe tempero de world music em meio a clássicos do Led Zeppelin, mas não agrada toda a plateia de 66 mil pessoas

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

28 Março 2015 | 19h42

A famosa linha de violão acústico de Baby, I'm Gonna Leave You, com seus quase 50 anos de existência, quando soou no vale do Autódromo de Interlagos, mudou a tarde e deu um sentido místico à maratona. Às 18h24, apesar do som baixo (muitas vezes encoberto por Marcelo D2, lá do outro lado), Robert Plant, mítico vocalista do Led Zeppelin, antigo Deus do Sexo (hoje mais para Inri Cristo), estava ali em carne e osso e cachos molhados, como uma testemunha da capacidade de permanência do rock, de seu potencial de assimilação e enriquecimento.

No lugar da animalidade histórica, ele pôs em cena um apuro técnico que é realçado por uma digna banda de carreira, The Sensational Space Shifters, testada no batizado da estrada. Rainbow e Turn it Up foram as primeiras "ousadias", as canções de sua carreira solo amaldiçoada pelos puristas - mas mesmo estas não enfrentaram rejeição imediata.

A "traição" de Plant se revela em uns condimentos de world music, de certo tempero mestiço, o toque afroprogressivo (por conta do músico Juldeh Camara) - mas o que foi o Led Zeppelin senão uma das viagens mais mestiças da História do rock? Com Black dog, Whole lotta love e Rock and Roll no bolso do colete, ele dominava o vale dos selfies implacáveis. A voz firme (sem o vigor do passado) o sorriso de eterna ironia, o rosto vincado pelo tempo.

O show de Plant começou após os alto falantes tocarem uma introdução de Rumble, música de 1958 do Link Wray que é citada por Jimmy Page no documentário It Might Get Loud (2008), que reuniu o guitarrista do Zeppelin e mais Jack White e The Edge. Foi a única canção instrumental a sofrer censura da História.

Plant "herdou" o público da banda inglesa Kasabian, grupo de segunda linha do britpop que fez show ultradançável no palco Onix - com extremada animação do guitarrista, Sergio Pizzorno. No mesmo palco, o grupo que antecedeu Plant, o Alt-J, mostra boa interação em cena, mas também ilustra o esgotamento de certa fórmula popularizada por grupos como Hot Chip - não há um ponto de evolução.A "deserção" da cantora galesa Marina and the Diamonds frustou boa parte da plateia de 66 mil pessoas.

Menos inchado que a edição de 2014, esse Lolla teve poucos percalços de organização - um deles foi a falta de sinal para as máquinas de débito automático, todo mundo tinha de pagar em dinheiro.



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