Attila KISBENEDEK / AFP
Attila KISBENEDEK / AFP

Plácido Domingo tenta limpar seu nome após ter sido cancelado nos EUA e Europa

Mulheres disseram que Domingo ofereceu oportunidades de carreira enquanto buscava relações sexuais com elas; ele nega

Redação, AP

24 de agosto de 2020 | 08h00

O tenor espanhol Plácido Domingo negou ter alguma vez cometido abuso de poder durante sua gestão de dois teatros de ópera dos EUA, em entrevista à Associated Press neste domingo (23).

Vários artistas disseram à AP que Domingo os perseguiu e abusou de seu poder enquanto ocupava cargos de gerência na Ópera de Los Angeles e na Ópera Nacional de Washington. Inúmeras mulheres disseram que Domingo ofereceu oportunidades de carreira enquanto buscava relações sexuais com elas e, em seguida, retirou as ofertas ou parou de contratá-las quando rejeitaram suas propostas.

Após vir à tona um escândalo com várias mulheres acusando-o de assédio sexual no ano passado, ele tenta limpar seu nome. Duas investigações encontraram indícios de que ele havia se envolvido em “conduta inadequada” ao longo de décadas.

Em fevereiro ele chegou a pedir perdão, lamentando o sofrimento causado e assumindo "toda a responsabilidade" por seus atos após a polêmica de assédios sexuais.

Na entrevista, Domingo evitou perguntas diretas sobre se ele alguma vez assediou mulheres sexualmente. As acusações prejudicaram sua carreira nos Estados Unidos, bem como na Espanha.

"Eu nunca prometi um papel a um cantor, nem nunca aceitei o papel de um cantor”, disse ele. “Passei minha vida inteira ajudando e, você sabe, incentivando e impulsionando as pessoas.”

Ele acrescentou que as responsabilidades dentro das companhias de ópera são divididas, o que significa que ele nunca teve controle total sobre as decisões de elenco.

As investigações da LA Opera e da American Guild of Musical Artists (AGMA) concluíram que as alegações de assédio sexual eram críveis. A LA Opera disse não ter encontrado evidências de abuso de poder, mas a AGMA encontrou um padrão claro de abuso, de acordo com pessoas que falaram à AP sob condição de anonimato.

Domingo focou quase exclusivamente nas alegações de abuso de poder durante a entrevista em Nápoles. Aos 79 anos, o cantor contraiu coronavírus em março e ficou internado por 10 dias até se curar.

Ele disse que espera poder resolver o que considera um mal-entendido com as autoridades espanholas. Também almeja voltar a cantar na Espanha, onde seus pais dirigiam a casa de ópera Zarzuela, em Madri. Mas disse ver como "menos provável" seu retorno aos palcos dos EUA. "É muito triste para mim não poder cantar nos Estados Unidos. Gosto muito", disse Domingo. “Por mais de meio século, o público foi sempre realmente extraordinário.”

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