Placebo volta ao Brasil em fase solar

Placebo volta ao Brasil em fase solar

A banda glam se apresenta no Credicard Hall, para lançar aqui seu mais recente disco, 'Battle for the Sun'

15 de abril de 2010 | 18h58

JOTABÊ MEDEIROS - SÃO PAULO - A banda glam Placebo retorna ao Brasil neste sábado, 17, no Credicard Hall, para lançar aqui seu mais recente disco, Battle for the Sun (PIAS Music), 6.º álbum de estúdio em 13 anos de carreira. Brian Molko, o líder, vale o ingresso.

 

O disco mais recente do Placebo teve boa acolhida crítica na Inglaterra, base do grupo. "Placebo soa renovado, revigorado e pronto para tomar todas as esquinas", escreveu crítico da BBC. O Guardian deu três estrelas para a "mais ocupada banda, com 24 festivais para tocar". No geral, agradou.

 

O cantor e guitarrista norte-americano Brian Molko é responsável por renovar, no rock, uma linhagem camaleônica de pop stars, fundada num comportamento ambíguo, glamouroso, multifacetado. À frente da banda inglesa Placebo, amealhou legiões de fãs pelo mundo todo com uma performance andrógina, pansexual, por vezes soturna e barulhenta - algo entre Bowie e Marc Bolan.

 

Todos os visuais novos de Molko (filho de banqueiro, que dividiu a infância entre Estados Unidos e Luxemburgo, e largou tudo para cursar teatro) fazem escola. Ele deflagrou aquela onda de pintar um olho só de preto para os shows, e aquilo pegou, sendo depois largamente utilizado por bandas como Panic! at the Disco ou Fall out Boy. O cantor fez uma ponta no filme Velvet Goldmine, interpretando 20th Century Boy, do T. Rex. Seu grupo suscita comparações com outros grupos de mesmo DNA, como The Cure (Robert Smith o reconhece como "filhote") e Depeche Mode.

 

Battle for the Sun chega após Meds, de 2006, que teve boa acolhida crítica e manteve a banda no pico. As 13 canções do disco foram produzidas por Molko e por Dave Bottrill, largamente conhecido pelo seu trabalho com a banda Tool.

 

O Placebo sempre teve como núcleo um trio: além de Molko, o membro fundador Stefan Olsdal, baixista e tecladista, e o baterista Steve Forrest (ex-integrante do grupo punk Evaline, que entrou no Placebo em 2008 no lugar que foi de Steve Hewitt). Molko falou ao Estado na semana passada.

 

O fato de você ter estudado teatro ajuda na hora de criar um personagem, uma persona?

Não tenho uma persona. O que se vê no palco é o exibicionista que há em mim. Em geral, sou quieto, introspectivo, calmo. Mas tenho um lado flamboyant que libero quando estou no palco. Ninguém é uma coisa só, coexistem muitos temperamentos sob cada um de nós. Para mim, estar no palco é algo primal, sexual, essencial. É a chance de criar uma euforia coletiva.

 

Vocês se tornaram famosos por serem uma das bandas que mais excursionam na cena do rock atual. Sempre estão na estrada. Qual o sentido da turnê para você?

Não vejo sentido no rock sem o contato direto com a plateia. É ali que se realiza a música. Ninguém faz música para que seja colocada num cofre, mas para que tenha um efeito, para que emocione ou faça alguém se rebelar, tomar o controle da sua vida. Há bandas que fazem bons discos e são uma merda no palco. Nós temos a pretensão de fazer bons discos, mas de fazer turnês melhores ainda. Se fosse para ser uma porcaria ordinária no palco, não estaria fazendo isso.

 

Toda temporada, surgem bandas que trazem um conceito novo, que chamam a atenção por algum tipo de sonoridade original. Foi o caso, no ano passado, dos grupos Animal Collective e Hot Chip. E tem as bandas que seguem fazendo sua música, como é o caso do Placebo. Você diria que o Placebo já é algum tipo de rock clássico?

Rock clássico, para mim, é o Deep Purple, o Black Sabbath. Nós temos nosso próprio lugar, inventamos nosso nicho na música.

 

E qual seria esse lugar?

Isso quem pode dizer é você, jornalista. São vocês, jornalistas, que criam os rótulos.

 

O novo disco do Placebo tem uma sonoridade diferente, menos ácida, menos pesada. É um turning point em sua música. Isso quer dizer que vocês estão sentindo menos responsabilidade em relação ao futuro?

Não é nada tão complicado assim. Em geral, quando a gente terminava um disco, parava para escutar e pensava: "Nossa, isto está soando dark, desolado, sombrio. É demais! Vai tirar a esperança de qualquer ouvinte! É um disco muito bacana." Era mais ou menos esse o espírito. No novo disco, pretendemos exatamente o contrário. Fizemos um trabalho pontuado por canções que expressam nossa esperança num futuro melhor, numa vida melhor. Um futuro em que se possa escolher luz em vez de sombras. É uma guinada de expectativa. Nosso disco anterior, Meds, trazia muita dor. Acho que este disco é mais positivo nesse sentido.

 

Você também se tornou pai recentemente. Como é Brian Molko no papel de pai?

Ter me tornado pai mudou completamente a minha vida. Ninguém sabe o que é se preocupar com uma outra pessoa até ter um filho. Você vive as aflições dele, sente as alegrias. É quando realmente aprende a ser menos egoísta, a ter uma outra pessoa como prioridade absoluta. Ser pai mudou completamente meu jeito de enxergar o mundo.

 

Placebo - Credicard Hall (6.938 lug.). Avenida das Nações Unidas, 17.955,  telefone 4003-5588. Dia 17/4, 22 h. R$ 100/ R$ 300

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