Placebo traz ao País show de ‘Loud Like Love’, seu melhor disco em anos

'Não estou tão interessado no que anda acontecendo, sou uma pessoa de consciência autônoma', diz o vocalista Brian Molko ao Estado

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

09 de abril de 2014 | 18h03

Loud Like Love, o novo disco do Placebo, é seu melhor álbum desde o badalado Sleeping with Ghosts, de 2003. Isso é mais ou menos um consenso crítico.

Sétimo álbum da banda, lançado em setembro de 2013, o disco faz uso de sintetizadores vintage, piano e o resto é a receita clássica do Placebo: guitarras estridentes, a voz esganiçada, o ambiente meio fin-de-siècle. Entrou no Top 5 de 10 países (incluindo Áustria, Bélgica, França, Alemanha, Grécia e Itália, segundo a organização da turnê). Na estrada desde novembro, o Placebo já se apresentou por todos os Estados Unidos e em 17 cidades europeias (com cinco apresentações completamente lotadas no Reino Unido).

Originariamente um trio, composto por Brian Molko (guitarra/vocal), Stefan Olsdal (baixo) e Steve Forrest (bateria), o Placebo foi encorpando nos últimos anos, ganhando novos instrumentistas – quase todos atuando na sombra, sem destaque como músico de frente.

Brian Molko, o andrógino e carismático vocalista da banda, falou ao Estado por telefone há alguns dias.

Da última vez que vocês vieram, o Placebo já era uma banda enorme. Além do trio, tinha um violinista, outro guitarrista e um novo baterista. Como voltam ao País?

É a mesma formação, com as mesmas pessoas. Somos seis no palco agora. O que acontece é que as nossas turnês têm tido diferentes formações ao longo da história, dependendo do que aquele trabalho requeira. Nós não temos medo de mudar ainda mais no futuro. Vamos tocar umas sete músicas do disco novo.

Muitos críticos dizem que esse disco é o melhor do Placebo em anos, infinitamente superior a Meds e Battle for Sun, os mais recentes. O que acha disso?

Não sei. Poderia ser uma opinião encorajadora, mas não dou a mínima. Eu realmente não me importo muito com a reação crítica aos nossos discos. Por que eu deveria acreditar mais no que os outros acreditam do que naquilo que eu acredito? Nós sabemos o que esperamos de nós mesmos, conscientemente. Nos primeiros dias de minha carreira, eu ainda acreditava em tudo que lia a meu respeito. Mas hoje em dia eu não vejo TV, vivo num ponto cego do bombardeio midiático. Não estou tão interessado no que anda acontecendo, sou uma pessoa de consciência autônoma. As pessoas prestam atenção demais no que os outros dizem. A verdade, sobre nosso trabalho, é que alguns álbuns funcionam mais no disco, outros não funcionam, mas são muito melhores de palco. Eu tento me manter ligado no que realmente importa.

Seu disco tem canções que parecem conter um substrato mais político. Por exemplo, aquela canção Rob the Bank, parece ser algum tipo de panfleto contra o sistema financeiro.

Não é, de jeito nenhum, a respeito de alguma crise econômica. É sobre obsessão, sobre a natureza obsessiva dos comportamentos contemporâneos. A melodia reforça isso, como se atentasse para coisas que estão fora de suas funções. O recado final da música é o seguinte: no final das contas, não quero saber o que você faz, quero que seja leal, que não tenha duas caras. Sinto, mas não é sobre recessão, é sobre decepção.

 

 

 

As músicas novas já surgiram com essa pegada de barulho clássico do Placebo?

Na verdade, muitas delas surgiram de forma acústica, com violões, como Too Many Friends. Depois, foram transformadas em seu formato de banda, de show. Tínhamos esse compromisso de fazer um novo disco e nem tínhamos músicas suficientes, apenas umas seis composições. Mas elas foram crescendo e logo eram um álbum completo.

Sua voz é uma das mais raras do pop rock internacional. É muito difícil surgir alguém com uma voz tão distinta. Talvez só James Blunt tenha chegado tão perto nos últimos tempos.

Me comparar a James é um grande elogio para mim. Ele é um cantor fabuloso. Quando eu estava crescendo, ainda adolescente, desenvolvi uma busca por coisas que fossem únicas. Foi isso que me conduziu até o rock, que me levou a formar uma banda. Eu ouvia muito Bob Dylan, depois ouvi Durutti Column, coisas singulares. E todos eles me soavam assim, como coisas únicas, e tiveram grande influência sobre mim. É assim até hoje.

O que você diria que é uma banda única hoje em dia?

The National. Eles são fantásticos. Mas eu não ouço muito mais rock hoje em dia.

Por quê?

Passo tempo demais tocando uma música f... alta, pesada. Então, quando não estou no palco, ouço muito música instrumental, uma música eletrônica mais meditativa, coisas com piano, orquestras. Não ouço rock.

 

PLACEBO

Citibank Hall. Avenida das Nações Unidas, 17.955. 2ª (14/4), às 21h30. R$ 90 a R$ 450.

 

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