Placebo faz lançamento mundial do novo disco

Em apenas quatro anos de estrada, eles são incensados por gente como Michael Stipe, Bono Vox, David Bowie e Marilyn Manson. No Rock in Rio, durante sua inesquecível apresentação, o veterano caubói Neil Young usava uma camiseta com a inscrição ´Placebo´ no peito. Placebo é o remédio inócuo, a pílula de farinha que ludibria o falso doente. É um nome adequado para essa banda inglesa que parece glitter, mas não é; parece eletrônica, mas não é; parece punk, mas não é. É um trio, mas parece uma tropa de choque - o baterista Steve Hewitt, o cantor Brian Molko e o baixista Stefan Olsdal.Esta semana, chega às lojas do mundo todo o disco novo do Placebo, Black Market Music (Virgin Records). Mais do mesmo: é a fórmula consagrada da banda, que lançou seu primeiro disco, Placebo, em 1997. Guitarras e um vocal anasalado, nervoso, do vocalista Brian Molko, que vive um caso de amor e ódio com a imprensa especializada. Eles o acham brilhante, mas estrela demais. Para comentar o novo disco, Molko falou à reportagem por telefone, de Londres. Sábado, eles começam turnê pela Europa, com show na Suíça.Agência Estado - Sábado vocês estarão na Suíça. Depois, na França, Portugal, Irlanda, Alemanha, Luxemburgo. A turnê é a essência da música do Placebo?Brian Molko - Não é. Criar e comunicar são partes do mesmo processo que é fazer música. Comunicar, tocar ao vivo é a parte mais emocional do processo. Nós nos divertimos tocando. Claro que não é a coisa mais fácil do mundo, tem a parte dos aeroportos, a solidão dos hotéis. É uma coisa louca, porque você acaba vivendo em dois mundos muito diferentes. Para os músicos, excursionar é imprescindível, porque o músico é um performer. Mas não é macaco de circo. Tem de ter controle sobre isso.Em fevereiro, no Rock in Rio, Neil Young fez show vestindo uma camiseta com o nome Placebo no peito. Vocês o conhecem?Molko - Ele usou mesmo? Uau! Que coisa estranha, porque um pouco antes daquilo nós estivemos num festival juntos e ele não disse nem alô. Agiu como se não existíssemos. Mas eu adoro Neil Young, adoro o jeito emocional, melódico dele cantar. Quando era adolescente, costumava ouvir, mas ele não foi uma influência. Minhas influências são recentes: Sonic Youth, Pixies, P.J. Harvey, Tim Buckley e sua maravilhosa voz. Bob Dylan e Frank Black. Billie Holiday e Janis Joplin. No entanto, procurei não ser parecido com ninguém, mas buscar um jeito único de cantar, de manter minha individualidade.Alguns críticos rotulam sua música como glam rock, em especial os europeus. Você concorda com isso?Molko - Não, de jeito nenhum. Não temos influência, não cresci ouvindo discos de glam rock. Somos mais para o lado do pós-punk, das guitar bands dos anos 80, de Nick Cave and the Bad Seeds, Depeche Mode, coisas desse tipo. Acho que rótulos são coisa de jornalistas preguiçosos, que não fazem esforço para descobrir o que têm à sua frente.Outra coisa que a imprensa musical diz é que você é arrogante. O que acha?Molko - É engraçado isso, as pessoas falam meia hora com você e já tecem considerações, fazem juízos. Não costumo tratar de coisas pessoais com jornalistas, falo apenas de música. Então não compreendo isso. Mas também não me importo, não faz diferença.Há algo de hip-hop na faixa "Spite and Malice". Você gosta de hip-hop?Molko - Gosto, principalmente da old school do hip-hop. Gosto de Public Enemy, de hip-hop com mensagem. Boogie Down Productions. Não gosto desses caras que ficam falando fuck you o tempo todo e é só o que têm a dizer. Levo Public Enemy para todos os lugares onde vou, adoro ouvir.No primeiro álbum, vocês usam sintetizadores analógicos, pianos de brinquedo, uma guitarra de karaokê e até um didgeridoo australiano. Como fazem sua pesquisa?Molko - Nós somos uma banda de rock-n´-roll. Há uma oferta muito abundante de tecnologia para a música. O desafio, para mim, é dissolver essa tecnologia dentro do rock-n´-roll, usá-la dentro de um princípio. O ideal é um balanço entre tecnologia e artesanato.

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