´Pierrot Lunaire´ volta após 25 anos

Vinte e cinco anos mais tarde, um reencontro. Em novembro de 1976, a Orquestra Sinfônica da USP era o primeiro conjunto brasileiro a interpretar o Pierrot Lunaire, obra referencial de Arnold Schoenberg. Nesta quarta-feira, o grupo (rebatizado de USP Sinfonietta) repete a dose em um concerto no Instituto Goethe, que também tem no programa Noite Transfigurada e relembra os 50 anos da morte do compositor. A regência é do diretor artístico do grupo, Ronaldo Bologna.A soprano Adelia Issa participa da execução do Pierrot como declamadora - a obra foi composta a partir de um ciclo de poemas do belga Albert Guiraud que, na versão original, aparece na tradução para o alemão de Otto Erich Hartleben. No concerto de amanhã, assim como no de 25 anos atrás, será utilizada a tradução para o português de Augusto de Campos.Pierrot Lunaire é uma obra emblemática dentro da produção de Schoenberg e da história da música, pois é nela que o compositor aperfeiçoa e estabelece de modo mais estável o princípio dodecafônico ao qual ele recorria já em Erwartung (A Espera), monólogo considerado um dos verdadeiros marcos da influência expressionista na música (uma boa dica de gravação é a feita por James Levine frente à orquestra do Metropolitan Opera House de Nova York, com Jessye Norman como a mulher sem nome, protagonista da história, editada pela Philips).Nessa peça, também, é utilizado o conceito de Sprechgesang (forma de declamação que paira entre a fala e o canto), que está também presente em obras como Gurrelieder, cantata para solistas, coro e orquestra, composta entre 1901 e 1911 (Schoenberg levou dez anos para, após ter terminado a composição, completar a sua orquestração) com base em um ciclo de poemas do sueco Jens Peter Jacobsen.A abertura do programa será feita com o sexteto de cordas Noite Transfigurada, composição do início da carreira de Schoenberg, responsável pela abertura de algumas portas para o então jovem compositor, de apenas 25 anos - a peça data de 1899. Trata-se de uma de suas mais célebres obras e das que provocam menos horror entre as platéias nem sempre afeitas ao experimentalismo do autor, que propôs novos horizontes à música do século 20.Serviço - USP Sinfonietta. Amanhã (05), às 20h30. Grátis. Instituto Goethe. Rua Lisboa, 974, tel. 3088-4288

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