Pianistas fazem concerto em homenagem a Copland

O pianista brasileiro radicado em Londres Marcelo Bratke e a pianista argentina Marcela Roggeri fazem amanhã, no Teatro Cultura Artística, uma apresentação em comemoração ao centenário do compositor norte-americano Aaron Copland. Além de peças dele, o programa inclui, também, obras de Gershwin e Bernstein, compondo o retrato de um período específico de composição nos Estados Unidos.Na primeira parte, Bratke e Marcela interpretam, de Copland, Billy the Kid e Danzon Cubano, obras que figuram no CD The Open Prairie. Lançado em abril pelo selo anglo-holandês Etcetera, o disco resgata originais para dois pianos de Copland que, a partir deles, estruturava suas versões para grande orquestra. Para Bratke, a leitura ao piano permite, uma vez deixados de lado a massa sonora e o grande colorido orquestral, uma nova compreensão da obra do compositor. "O resultado é uma música menos datada", afirma.Copland sempre se assumiu como um nacionalista e sua obra é claramente inspirada em raízes populares, levando para as salas de concerto as principais características da música tradicional e folclórica norte-americana. Segundo Bratke, Copland pode ser considerado o compositor mais americano dos americanos. "Em seu trabalho, ele alcançou uma linguagem que traduz a miscigenação e as muitas direções da cultura de seu país", disse.As peças escolhidas para o concerto de amanhã remetem às décadas de 30 e 40, período em que Copland vivia o auge de sua capacidade criativa.Na segunda parte, os pianistas interpretam obras dos também norte-americanos Leonard Bernstein e George Gershwin. A escolha é bastante natural: seja musical ou pessoalmente, os dois compositores aproximaram-se de Copland. "A influência latina e a busca por raízes são bastante evidentes e os três, cada um a sua maneira, estavam preocupados em explorar a linha entre o popular e o erudito", indica Bratke.De Bernstein, os dois tocam trechos de West Side Story, musical imortalizado em uma gravação na qual o próprio compositor sobe ao pódio para reger José Carreras, Kiri Te Kanawa, Tatiana Troianos e Kurt Ollman, para a Deutsche Gramophon. Bernstein foi um dos protegidos de Copland e, segundo a jornalista Joan Peyser, em Bernstein: Uma Biografia, os dois mantiveram um relacionamento amoroso durante muitos anos.De qualquer forma, Bernstein é considerado um dos principais intérpretes de Copland, tendo deixado gravações de obras sinfônicas do compositor que se tornaram referência.Gershwin aparece no concerto com Três Prelúdios para Piano, peças que, nos últimos anos, têm aparecido com freqüência em gravações e recitais. Consideradas por críticos e musicólogos como o ápice da composição "erudita" do compositor as três peças foram compostas entre os anos de 1923 e 1926 e, em especial na terceira, estão presentes elementos de Rialto Ripples, uma das primeira peças publicadas pelo compositor.Afinidade - Reunidos pela gravadora Etcetera, Bratke e Marcela Roggeri têm se apresentado com esse recital em mais de 30 países, promovendo o lançamento de The Open Prairie. Para Bratke, a afinidade entre os dois é um dos pontos altos do trabalho. "Apesar de sermos pessoas diferentes, temos musicalidades muito parecidas e o trabalho flui com leveza e bom humor."

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